De aliada a inimiga, torcida organizada do Palmeiras volta a pressionar Felipão

por Folhapress

A eliminação do Palmeiras no Campeonato Paulista diante do São Paulo, em pleno Allianz Parque, marcou o fim da lua de mel entre o técnico Luiz Felipe Scolari e a principal torcida organizada do clube, a Mancha Alvi Verde.

A insatisfação da torcida foi transformada em vaias e coro de “time pipoqueiro” quando a equipe entrou em campo para encarar o Junior Barranquilla (COL), pela quarta rodada do Grupo F da Libertadores, na última quarta-feira (10).

Antes da partida, o ônibus do clube foi apedrejado por torcedores palmeirenses. A Mancha Alvi Verde negou ter participado da emboscada, mas aproveitou a oportunidade para atacar o treinador.

“[É] Nítido que não tivemos padrão técnico nos jogos do Paulista e Libertadores. Essa ‘pedrada’ é do Felipão, que voltou a ser rabugento, teimoso e prepotente. Nas suas coletivas não assume que o time foi mal e ainda elogia em derrotas vergonhosas em clássicos dentro de casa”, diz nota publicada pela torcida.

Com a vitória por 3 a 0 sobre os colombianos, Scolari completou a 50ª partida nessa passagem pelo clube. Foram 31 vitórias, 14 empates e 5 derrotas. O aproveitamento de 71,3% dos pontos disputados, não foi suficiente para dar tranquilidade ao treinador, que vê seu trabalho ser questionado.

Não que isso seja uma novidade para Felipão, que já viveu casos de amor e ódio com torcedores palmeirenses em outras épocas.

ANTIGA PARCERIA
Em sua primeira passagem pelo clube (1998 a 2000), Luiz Felipe Scolari viveu relação bem mais próxima com os torcedores organizados. Em 1999, o treinador contava com os membros da torcida Mancha Alvi Verde para denunciar jogadores que estivessem até altas horas curtindo a noite paulistana. Essas informações eram usadas para pressionar os atletas mais baladeiros a manter o rendimento nos jogos e treinos.

A organizada ajudou Scolari também no embate contra os torcedores que Felipão batizou de “turma do amendoim”. Esses torcedores sentavam no espaço das cadeiras cobertas do antigo Palestra Itália e ficavam próximos ao banco de reservas criticando as decisões do treinador.

“Eles são as maiores cornetas do futebol brasileiro. Aquele pessoal come muito amendoim. A casca deve cair na roupa e eles ficam muito irritados”, ironizou, após uma partida contra o Guarani.

A torcida organizada, mais paciente, se manifestava com xingamentos contra as vaias dos torcedores que estavam no setor.

PASSAGEM TURBULENTA
Na segunda passagem do treinador (2010 a 2012) houve momentos de bastante turbulência. Em fevereiro de 2011, após um empate em 2 a 2 com o Comercial de Ribeirão Preto , que tinha dois jogadores a menos, a Mancha Alvi Verde chamou o time de “pipoqueiro” e Felipão foi vaiado.

Três meses depois, Scolari foi chamado de ultrapassado pela torcida após o Palmeiras levar goleada de 6 a 0 para o Coritiba pela Copa do Brasil, no Couto Pereira.

No final daquele ano, o volante João Victor foi agredido por um grupo de torcedores. O atacante Kléber culpou as declarações do treinador por inflamar os ânimos da torcida. Os dois tiveram uma discussão ríspida e o atacante foi afastado do Palmeiras.

Em entrevista à TV Bandeirantes, o atacante afirmou que Felipão havia pedido para os jogadores irem até a quadra da torcida organizada para conversar com os torcedores.

Em 2012, apesar do título da Copa do Brasil, Felipão não conseguiu tirar o time da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e foi demitido. No final do ano, o Palmeiras caiu pela segunda vez para a Série B do Brasileiro. O treinador foi considerado um dos culpados pela queda.

Dois anos depois, quando treinava o Grêmio, Felipão enfrentou o Palmeiras no Pacaembu e foi ironizado. “Não é mole não, o Felipão afundou a seleção” gritaram os palmeirenses, em referência à goleada de 7 a 1 sofrida pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

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