Colunista Joice Vancoppenolle: “Tirando manchas de vinho”

 

Uma toalha branquinha e um vinho tinto são o cenário perfeito para uma tragédia. Mesmo o mais cuidadoso dos enófilos já teve alguma toalha, roupa, estofado ou tapete manchado com a bebida de Baco. E quando acontece, o que deve ser feito? O primeiro passo é manter a calma. Apesar de não ser a tarefa mais simples do mundo, há algumas maneiras de driblar o incidente.
O mais importante de tudo – e o que vai tornar o seu trabalho bem mais fácil – é limpar a sujeira quando a mancha ainda é recente e não está totalmente seca. Retire o excesso de vinho com um papel-toalha e lave a peça com água quente e sabão. A água mais quente consegue diluir e “desprender” o vinho que já penetrou no tecido. Algumas pessoas, em vez de retirarem o excesso com papel-toalha, preferem jogar um pouco de sal na mancha ainda molhada, pois, dessa forma, o líquido tende a ser sugado pelo sal. Se preferir essa alternativa, cubra toda a mancha e deixe descansando por cinco minutos. Em seguida, retire o excesso e repita o processo até que clarear a mancha. Depois disso, é só lavar normalmente.

Outra dica é usar uma mistura de sabonete líquido e água oxigenada de 10 volumes. Ela é um oxidante que faz às vezes de branqueador, pois dissolve os pigmentos da mancha e torna mais fácil a remoção com sabão.

Se você estiver em uma reunião mais formal e não puder tirar a toalha da mesa na hora em que o vinho foi derramado, o ideal é colocar sabonete líquido e água morna, que vai amolecer e não deixar que a mancha seque e fique ainda mais difícil de tirá-la mais tarde.

Antigamente, quando não tínhamos tantas opções em produtos de limpeza, uma das maneiras mais eficazes de limpar manchas era colocá-la no leite fervido. O procedimento é simples: basta encher uma panela com leite, colocar o tecido dentro, e ferver os dois. Assim que o leite alcançar o ponto de ebulição e começar a subir, desligue o fogo e deixe de molho, em seguida lave a peça com água e sabão. Outras pessoas preferem limpar vinho misturando 1/4 de vinagre branco com 3/4 de água morna e esfregar bastante. Depois, é só lavar a peça em água corrente.

Atualmente, há receitas modernas, como por exemplo uma caneta mágica chamada Tide to Go, que só de esfregar sua ponta na mancha recente (e depois de ter tirado todo o excesso), junto com a solução que foi liberada, limpa não só vinho como também sujeira de café, molho, refrigerante e chá.

Tente a todo custo remover a mancha ainda úmida porque depois de seca, significa trabalho dobrado, pois ela estará totalmente infiltrada no tecido e conseguir limpá-la totalmente será uma tarefa de Hércules.

Nesse caso, é provável que as opções listadas acima não funcionem – já que são alternativas menos invasivas para o tecido. Para tentar salvar sua toalha, ou qualquer outra peça, há três alternativas: uma delas é apostar nos alvejantes sem cloro, que são menos agressivos e não desbotam o tecido, principalmente os mais delicados, mas mesmo assim conseguem uma boa limpeza. A vantagem do alvejante sem cloro é que ele pode ser usado tanto em peças brancas quanto em coloridas. Outra maneira de tentar maquiar o estrago é misturar água e amoníaco e colocar a solução em cima da mancha. Como ela já estará seca, esfregue a área com uma escovinha e depois lave o tecido todo, para retirar o produto.

Se nada mais der certo, o jeito será recorrer aos alvejantes com cloro, soluções de hipoclorito de sódio ou até mesmo a famosa cândida. As três alternativas irão “manchar” o tecido de branco, ou seja, desbotá-lo e tirar o vermelho do vinho. Mas, nesse caso, a dose é muito importante. Muito cloro pode corroer o tecido e não  surtir efeito.

Tirar manchas de tecido está longe de ser uma ciência exata e, por isso, o que funciona para um pode não funcionar para outro. Geralmente, os vinhos menos encorpados e de coloração mais fraca são mais fáceis de serem removidos (Pinot noir, Rosé),  e só um pouco de sabão já é suficiente. Outros, porém, mais fortes (Tannat, Malbec), são mais complicados, e pedem outras soluções, geralmente arriscadas.
Joice Vancoppenolle

Tournai, 23 de agosto de 2020

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