‘Foi o meu pior dia como presidente do Bahia’, diz Guilherme Bellintani

“Foi o meu pior dia como presidente do Bahia”. Esta foi a definição de Guilherme Bellintani sobre o último domingo (20) quando o meia Gerson, do Flamengo, acusou Indio Ramírez, do Tricolor, de racismo durante a partida entre as duas equipes no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. O jogo terminou com a derrota do time baiano por 4 a 3, de virada.

“Foi, com folgas e sem dúvida alguma, o meu pior dia como presidente do Bahia. Foi o dia mais marcado negativamente. Deixo de fora a questão da derrota como foi aquela, com o jogo na mão e uma virada. Aquilo virou detalhe perto das circunstâncias da acusação muito grave. Posso dizer com um bom nível de orgulho: quis o destino que um dos clubes mais antirracistas do Brasil tivesse um atleta acusado de racismo. Primeiro, ressalto a gravidade da acusação. Nesse nível de acusação, a voz da vítima tem uma relevância muito grande. Não há motivo para inventar uma história dessa. Seria uma análise muito louca achar que alguém seria capaz de inventar. A voz da vítima é muito significativa em um fato como esse. Mas é preciso garantir algo muito importante, que é o direito ao contraditório. É fundamental. É isso que temos feito”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo.

A polêmica aconteceu aos sete minutos de segundo tempo. Durante uma discussão entre os jogadores, Gerson acusou Ramírez de ter dito a ele: “Cala boca, negro”. Bellintani contou que estava assistindo o jogo num camarote, viu a confusão, mas não entendeu o motivo.

“Eu estava no Rio. A informação não chegou rapidamente para mim. Estava em um camarote muito longe. Vi a confusão, mas não identifiquei o motivo da confusão. Nenhum de nós do camarote. Desci para o vestiário sem saber o que tinha acontecido”, lembrou.

O dirigente do Bahia também falou da conversa que teve com Gerson. Ainda na noite de domingo, ele ligou para o jogador do Flamengo para manifestar solidariedade.

“Se eu presumo a força da palavra da vítima, que é quem viveu, quem estava lá, meu primeiro objetivo foi manifestar solidariedade, dizer que qualquer ato racista não representa de forma alguma o pensamento do clube. Acho que já conseguimos mostrar o quanto o Bahia é preocupado com a causa antirracista. Mas isso não nos dava o direito também, pelo que fizemos nos últimos anos, de ser menos rigoroso quando um fato concreto acontece. Pelo contrário. A nossa responsabilidade é maior. Mas também procurei do Gerson informações sobre o fato porque tenho do outro lado um atleta dizendo que não falou o que ele entendeu. Então, tenho que formar minha compreensão do fato da melhor forma possível”, comentou.

Bellintani tem mantido conversas com Ramírez, que foi afastado do elenco preventivamente enquanto acontecem as investigações internas do caso. E assim como na divulgação do comunicado do clube baiano, o dirigente também reafirmou que o colombiano nega veementemente a acusação. O jogador gravou um vídeo explicando sua versão. O dirigente ainda revelou que procurou saber do ocorrido com outros atletas do Tricolor, sendo um deles o volante Gregore.

“Sendo bem franco: vou citar um depoimento do Gregore. Ele me disse: “Presidente, Ramírez está dizendo de forma muito convicta que ele não falou aquilo para o Gerson. Se ele não tiver falado, precisamos defender o Ramírez. Mas eu disse a ele que, se ele tiver cometido aquilo, ele tem que pagar pelo que ele fez”. Palavras do Gregore. Nossos jogadores hoje têm um sentimento, um envolvimento na causa antirracista muito grande. Gregore falou isso para Ramírez, que esse era um tema que ele nem sabia direito o que era e a presença no Bahia o fez valorizar isso. Ele disse para o Ramírez assumir, se ele tivesse feito. O Ramírez pediu que confiasse nele e relata que, quando passa por Gerson, ele está de costas. O vídeo mostra isso, o que faz com que talvez eu possa acreditar eventualmente que Gerson tenha entendido errado. Mas, repito, para mim, sempre parto do princípio de que o que a vítima está relatando é verdade”, afirmou.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a abertura de investigação do caso. A questão também foi parar na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Centro do Rio de Janeiro, que abriu inquérito. Gerson prestará depoimento nesta terça-feira (22), às 10h. Enquanto Ramírez, Mano Menezes e o árbitro Flavio Rodrigues de Souza, que apitou a partida, mas relatou na súmula não ter presenciado a injúria racial, também serão intimados a se explicarem presencialmente. (BN)

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