Alívio, mas sem festa: em mais do mesmo e luta contra o Z-4, Vitória vai para o terceiro ano na Série B


O triunfo por 1 a 0 sobre o Botafogo-SP, na última terça-feira, confirmou a permanência do Vitória na Série B e trouxe alívio. Mas não há o que comemorar. Pelo segundo ano consecutivo, o Rubro-Negro traçou o G–4 como objetivo e teve que encarar a realidade da luta contra o rebaixamento até as últimas rodadas. Agora, a equipe vai para o terceiro ano consecutivo na Segunda Divisão, cheia de desafios e tendo que provar que, dessa vez, aprendeu alguma lição.

Para chegar até a penúltima rodada da Série B sob risco de cair, o Vitória praticamente “gabaritou a cartilha do rebaixamento”: salários atrasados, rotineiras trocas de técnicos, reformulação de elenco com campeonato em andamento… Situação que já tinha sido vivenciada em 2019.

Crise dentro e fora de campo

Em grave crise financeira, jogadores e funcionários do Vitória tiveram que conviver com salários atrasados. Volta e meia, as dívidas vieram a público tanto na campanha de 2019, quanto em 2020. A situação foi agravada pelos efeitos da pandemia do coronavírus, e, como solução para minimizar o problema, o clube antecipou receitas e reduziu salários.

Rodrigo Chagas é quarto técnico do Vitória na Série B — Foto: Pietro Carpi / EC Vitória / Divulgação

Rodrigo Chagas é quarto técnico do Vitória na Série B — Foto: Pietro Carpi / EC Vitória / Divulgação

Sem dinheiro para investir, o Vitória não mediu esforços para demitir e contratar técnicos. Foram quatro treinadores diferentes na Série B: Bruno Pivetti, Eduardo Barroca, Mazola Júnior e Rodrigo Chagas. O último, técnico do sub-20, ainda chegou a comandar a equipe de forma interina, saiu para chegada de Mazola e voltou no momento mais crítico enfrentado pelo clube.

Também não foram poucas as contratações de jogadores. Com a Série B em andamento e a falta de resultados, o Vitória reformulou seu elenco nesta temporada. Thiago Lopes e Matheus Frizzo, por exemplo, chegaram e logo ganharam posição de titulares (só o primeiro se manteve). Por outro lado, Felipe Garcia, Eron, Rodrigo Andrade, Juninho Quixadá e Thiago Carleto são alguns que se transferiram ao longo da competição.

Em 2020, o clube contratou 23 jogadores.
Em 2019, período dividido entre gestão Ricardo David e Paulo Carneiro, foram 37 novas peças.

Alarcon Pacheco, gerente de futebol, e Paulo Carneiro, presidente do Vitória — Foto: EC Vitória / Divulgação

Alarcon Pacheco, gerente de futebol, e Paulo Carneiro, presidente do Vitória — Foto: EC Vitória / Divulgação

O que chega a ser curioso na comparação com 2019. Na temporada passada, o mesmo Thiago Carleto que chegou durante a Série B e foi importante ao longo da competição teve saída abreviada em 2020 em baixa com torcida e companheiros de time.

Os efeitos e o que fica

E a perspectiva para o Vitória na nova caminhada em 2021 começa afetada pelo que o clube fez nos últimos anos. O Rubro-Negro está proibido de contratar novos jogadores, mas tenta reverter a situação. Além disso, não conseguiu segurar o seu grande destaque de 2021, o atacante Léo Ceará, que está de saída para o Japão.

Outros 11 jogadores do atual elenco estão com contrato perto do fim e têm renovação incerta. Ao menos o goleiro Ronaldo, um dos destaques do time, tem vínculo até o término da temporada e é uma das esperanças para os próximos anos. Ainda assim, fica o sinal de alerta e muito trabalho para a diretoria rubro-negra em busca de dias melhores. *GE

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