Crise de pânico x Ansiedade: saiba diferenças, sintomas e tratamentos

Saiba as principais diferenças entre as síndromes, como estão associadas, sintomas e como tratar. Caso ganhou destaque após relato de Marcelo Serrado

Completa neste domingo (16), uma semana desde que o ator Marcelo Serrado revelou ter enfrentado uma crise de pânico ao tentar embarcar em um voo de volta de Miami para o Brasil. Na descrição do episódio, feita por ele durante o Fantástico, o ator citou sintomas como “boca seca”, “pé gelado” e uma sensação de que “algo ia acontecer”.

Serrado fez questão de ressaltar que o que estava sentindo não tinha nenhuma relação com medo de avião ou da viagem. Os sintomas, no entanto, podem estar atrelados a um outro vilão da saúde mental: a ansiedade. A situação traz à tona a importância de saber diferenciar ambas as síndromes, os sintomas de cada uma e também os tratamentos específicos.

Crise de pânico x Ansiedade

A principal diferença entre um quadro de ansiedade e uma crise de pânico é a intensidade em que ela atinge o indivíduo. No caso da ansiedade, ela é uma reação que se antecipa a algum tipo de risco, enquanto a crise de pânico é caracterizada por uma reação de fuga.

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Ana Lucia Maranhão, especialista em saúde mental e terapeuta de abordagem a traumas, a ansiedade quando patológica pode gerar uma crise de pânico.

“A ansiedade pode se tornar patológica quando ela fica muito repetitiva e a crise de pânico é uma das patologias possíveis que o excesso de ansiedade gera”, explica.

Os sintomas descritos pelo ator Marcelo Serrado são, de fato, de uma crise de pânico. Isso porque nessa patologia as sensações são físicas.

“A crise de pânico, ela normalmente se caracteriza por uma pessoa ter uma reação, como uma reação de morte iminente. Ela tem sensações físicas. E, normalmente, ela não consegue detectar no ambiente ou na realidade dela, algo que tenha disparado isso. Só investigando em psicoterapia que a gente descobre que tem gatilhos. Ou seja, situações que disparam processos com memórias de ansiedade”, caracterizou a especialista.

Apesar do ator ter afirmando com veemência que não estava com medo do avião, alguma coisa pode ter despertado um gatilho que gerou os sintomas. A psicóloga explica essas situações fazem com que o indivíduo se sinta ameaçado por algo, e que nem sempre seja capaz de distinguir que, o que está sentido, está associação a alguma memória ou trauma.


Crise de pânico x Ansiedade: saiba diferenças, sintomas e tratamentos
Marcelo Serrado revelou ter tido crises de pânico durante viagem de férias. Foto: Reprodução/Fantástico

“O que gera um gatilho para essas situações podem caracterizar ameaças para as pessoas e que já estão calcadas em memórias anteriores. E, às vezes, esses gatilhos não são tão lógicos, porque eles estão associados a memórias anteriores. E é aí que entra a história do trauma, que é quando uma pessoa tem uma sobrecarga neurofisiológica, que ela não dá conta da situação. Tudo que está ligada a essa sobrecarga fica como um possível gatilho de outras situações que ela vai viver no futuro”, distingue.

É possível prevenir uma crise?

Uma coisa que é importante salientar, é que a ansiedade tem um índice maior na adolescência e pode se estender para a vida adulta. Conforme a psicóloga e psicoterapeuta, a idade é marcada pela descoberta, crises de identidade e pressão social que podem desencadear os sintomas.

“Me parece, que a maturidade psíquica é algo que pode ajudar no cuidado com a ansiedade, no manejo de cada pessoa pode ter com a ansiedade. Então, adolescência, onde tem um monte de crise de identidade acontecendo, muita exigência social e muito pouca bagagem de vida, isso pode se exacerbar”, conta.

É o que corrobora também o psicólogo clínico George Barbosa. Apesar de qualquer pessoa poder ter uma crise ansiedade ou de pânico, os dados estatísticos indicam, segundo ele, que no Brasil as crises de ansiedade e de pânico tem ocorrido mais na faixa etária de 15 a 42 anos. Ele destaca os sintomas:

“A crise de pânico geralmente está ligada a um trauma, um medo, uma fobia. Coisas mais específicas que estão relacionadas ao medo. Os alertas que o cérebro enviam para o corpo são de fuga. Então, normalmente, a pessoa quer sair daquele lugar, daquela situação o mais rápido possível. Geralmente, sente taquicardia, falta de ar e, a depender do caso e da situação, algo semelhante a um surto, que a pessoa quer sair correndo do ambiente. Já na crise de ansiedade, o cérebro emite uma função de autopreservação. A pessoa pode se recolher no canto, assim como pode querer sair do recinto, mas ela tem um poder de escolha maios”, disse em entrevista ao Portal.

Apesar do vilão da saúde mental rondar a maioria dos casos no Brasil, considerado em 2023 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o país mais ansioso do mundo, é possível prevenir a iminência de uma crise. Ana Lucia Maranhão destaca algumas:


Crise de pânico x Ansiedade: saiba diferenças, sintomas e tratamentos
Saiba quais as principais diferenças entre as síndromes, como estão associadas, os sintomas e como tratar. Foto: Freepik

“Existem coisas que podem prevenir as crises de ansiedade e de pânico, que são os exercícios físicos, a boa alimentação, a psicoterapia, os trabalhos com consciência de corpo e respiração. Qualquer coisa que ajude a pessoa a se concentrar mais no presente, e trazer uma boa química de leveza, alegria e presença para o cérebro são coisas que vão ajudar a prevenir todos os quadros de ansiedade”, recomenda.

George Barbosa também destaca os exercícios de respiração, que ajudam a acalmar o cérebro, e a redução de consumo de açúcares e alimentos gordurosos, que acabam aumentando a ansiedade por causa do composto dos alimentos, assim como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e cafeína.

Mas e se eu já estiver enfrentando quadros de ansiedade e crise de pânico?

Caso já esteja enfrentando quadro de ansiedade e crise de pânico, é preciso procurar um profissional para fazer o acompanhamento e indicar os melhores tratamentos para o quadro apresentado. Há desde a psicoterapia, até o uso de medicamentos em casos mais graves e que devem ser analisados por um psiquiatra.

Veja abaixo alguns possíveis tratamentos, atividades e práticas que podem contribuir de forma benéfica para os quadros, indicados pelos profissionais que conversaram com o iBahia:

  • Psicoterapia
  • Medicamentos em casos mais graves (com prescrição médica do psiquiatra)
  • Exercícios de respiração
  • Meditação
  • Aroma terapia
  • Massoterapia
  • Boa alimentação
  • Exercício físico

“Sempre quando a gente trabalha com saúde mental, a gente tem que pensar no menor prejuízo para o indivíduo. Então, as abordagens vão ser sempre aquelas que trouxeram o melhor benefício e o menor prejuízo”, finaliza a psicóloga e psicoterapeuta Ana Lucia Maranhão.

*iBahia

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