Venda de carros de 4 a 8 anos de uso cresce em mais de 83%




O cenário de retomada da economia junto com as quedas consecutivas da taxa básica de juros (Selic) – que estacionou no 6,5% ao ano – vem animando o setor automotivo, sobretudo, o mercado de seminovos. Dados da Federação Nacional das Associações dos Vendedores de Veículos Automotores (Fenauto) registraram, na Bahia, crescimento de 19,5% nas vendas de autos leves na comparação entre os meses de abril deste ano e de 2017.

No entanto, ao invés de seminovos com 0 a 3 anos de uso e baixa quilometragem, a procura maior tem sido pelos seminovos jovens com 4 a 8 anos de uso. Enquanto a vendas do primeiro grupo caíram 42,2%, os mais velhos cresceram quase o dobro em um ano, com aumento de 83,3%. Para o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos, a explicação é uma só: preço.

“É o valor que se encaixa naquela faixa que o consumidor pode pagar. Por conta disso, os usados mais jovens tem tido maior procura para o financiamento. Ainda existe uma cautela em assumir uma dívida. Então a opção tem sido fazer a troca e pagar a diferença. Quanto menor o custo disso, maior as vendas”, analisa.

O interesse prevalece pelos carros básicos e mais populares. Ainda de acordo com ele, um usado jovem custa, em média, de R$ 25 a 30 mil. O seminovo com três anos de uso ocupa uma faixa acima de R$ 50 mil. “O setor está otimista. Os juros caíram, mas continuamos com um volume muito grande de pessoas com os nomes negativados, o que tem interferido no financiamento. Só não está melhor por conta disso”, avalia.

No orçamento
Foi justamente estes atrativos que foram determinantes na hora da compra do seminovo pelo motorista Pedro Henrique Alves, que optou por um Chevrolet Classic 2013. “Eu estava pesquisando há uns três meses. É um carro popular que tem um custo de manutenção barato”, afirma.

O motorista deu o carro antigo de entrada e amortizou R$ 11 mil do valor total do carro, que saiu por R$ 24 mil. O restante foi financiado. “Comprei para trabalhar de Uber. O carro é bom, tem cinco anos mas só rodou 17 mil quilômetros. É praticamente zero. E o melhor é que tem uma prestação que dá para pagar. Então, estou tranquilo”, completa.

A opção pela compra financiada vai exigir organização do orçamento. Mesmo com as taxas de juros em queda e o nome limpo com os órgãos de proteção ao crédito, a nova prestação deve se ajustar às contas para evitar o endividamento e, em alguns casos, até a perda do veículo para o banco.  É isso o que aconselha o educador financeiro, Edval Landulfo. “Cada consumidor terá que rever o seu orçamento financeiro familiar para não comprometer a sua renda e muito menos entrar em um endividamento longo. É analisar minuciosamente se o seu orçamento comporta uma nova parcela”, destaca.

Verifique com detalhes o custo efetivo do financiamento. Ele alerta também que é preciso lembrar que ter um carro envolve outras despesas. Outra dica para aumentar o poder de barganha na negociação da compra  é dar a maior entrada possível. “Quem tem dinheiro tem mais poder de barganha. Leve anotado todos os valores dos veículos que você pesquisou, inclusive de taxas de juros. Tente, na negociação, reduzir valores e taxas. Solicite benefícios como IPVA pago, tanque cheio na saída da loja, emplacamento e outros descontos”, aconselha.

Outras vantagens
O proprietário da Pinheiro Veículos, Ari Pinheiro Júnior, concorda que o cliente tem pesquisado muito antes de fechar o negócio, o que acirra a disputa entre as lojas do setor pela melhor oferta de custo benefício.  “A taxa é o principal motivo pra que o consumidor queira comprar. Temos taxas de 0.81%, por exemplo. Mas a aprovação do banco continua tímida. É necessário melhorar essa análise de crédito. Nós temos que mostrar que o momento de comprar um seminovo é esse ”, pontua.

Com uma entrada de pelo menos 20% e o nome limpo, aos poucos o consumidor está voltando às lojas, como acrescenta Ari. “Os carros mais procurados são os populares de baixo consumo, tendo em vista o atual valor do combustível. Tenho certeza que as vendas só vão aumentar daqui pra frente”.

CUIDADOS NA HORA DA COMPRA
Novo x usado  Compare detalhadamente o automóvel usado com um equivalente zero quilômetro. Verifique as características e analise com atenção os desgastes que o carro usado sofreu.

Conservação   Confira o estado da carroceria em um ambiente iluminado e com o carro limpo. Isso vai impedir que você passe ‘batido’ por algumas imperfeições que ficam escondidas na lataria do veículo,  ainda mais se a cor do carro for escura. Ao abrir a tampa do porta-malas, cheque o estado do estepe e de sua base.

Marcas de uso   Amassados leves e raspadas nas rodas e para-choques, dependendo da dimensão destas imperfeições podem ser um bom motivo para barganhar um preço melhor e pedir um desconto, contanto que não comprometam o estado de conservação do carro.

Documentação   Verifique se as numerações de chassi (nos vidros, no batente das portas e no cofre do motor) são iguais às presentes no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV). Se em algum destes pontos não houver marcação é grande a possibilidade de a área ter sido reparada. Se o código não bater, o problema deve ser ainda maior: o carro pode ter sido “clonado” (um veículo usa documentos pertencentes a outro de mesmo modelo e cor). Por isso, verifique junto aos órgãos de trânsito se o carro foi roubado, se há alguma irregularidade ou se possui multas e pendências judiciais.

Painel e revisões   Desconfie da quilometragem do hodômetro, caso os itens que têm contato direto com o motorista (aro do volante, pedais, maçanetas, alavanca de câmbio e estofado dos bancos) estejam muito desgastados. Confira também se os carimbos no manual do proprietário e os selos de revisão e troca de óleo são compatíveis com a marcação do carro. Observe também se as luzes do painel (óleo, airbag, injeção, bateria, por exemplo) indicam algum tipo de anomalia. *A informação é do Correio.

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