Stress afeta a memória e reduz o tamanho do cérebro, diz estudo

Não é novidade que o stress faz mal à saúde. Já está comprovado que ele aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC; de problemas psiquiátricos, como depressão e ansiedade e acelera o envelhecimento precoce. Agora, um novo estudo, publicado na revista científica Neurology mostra que ele afeta também o cérebro.

A pesquisa, realizada por especialistas da UT Health San Antonio, nos Estados Unidos, concluiu que pessoas de meia-idade com altos níveis de cortisol apresentam menor volume cerebral e problemas de funcionamento cognitivo, em comparação com pessoas que tinham menores níveis do hormônio. O cortisol é conhecido como o hormônio do stress e está associado a diversas tarefas cruciais para o bom funcionamento do corpo, como regulação do metabolismo, da imunidade e da formação da memória. Entretanto, estudos mostram que a liberação crônica ou prolongada do hormônio devido ao stress é prejudicial à saúde.

Atuação do cortisol

O cortisol é um dos principais hormônios do organismo, atuando nos instintos de “fuga ou luta”. Quando estamos estressados e/ou em alerta máximo, as glândulas suprarrenais produzem mais desse hormônio, que, para atuar de forma eficiente, precisa desligar várias funções do corpo que podem atrapalhar a sobrevivência.

No momento em que a crise passa, as taxas devem cair para que os sistemas corporais voltem ao normal. Entretanto, se por algum motivo o indivíduo permanece em alerta, o corpo continua funcionando de maneira irregular, o que leva a ansiedade, depressão, doenças cardíacas, dores de cabeça, ganho de peso, problemas para dormir e problemas de memória e concentração.

No novo estudo, os cientistas analisaram dados de 2.200 participantes com idade média de 48 anos, que faziam parte do Framingham Heart Study. Cada voluntário passou por um exame psicológico, que testou habilidades de memória e pensamento em duas fases: no início da pesquisa e após oito anos.

A equipe também coletou amostras de sangue para avaliar os níveis de cortisol, que foram divididos em alto, médio (normal) ou baixo. Exames de ressonância magnética foram realizados para medir o volume do cérebro.

Stress versus cérebro

Os resultados mostraram que os participantes no grupo com alto nível de cortisol apresentaram menor volume cerebral, em comparação com aqueles que apresentavam cortisol “normal”. Essas pessoas também apresentaram problemas de memória, embora não tivessem sintomas de demência. Em níveis baixos, não foram encontradas associações entre o hormônio, a memória e volume do cérebro.

“Não fiquei surpreso com as alterações na cognição. Se você tem um nível mais alto de cortisol, provavelmente está estressado e terá mais dificuldade em tarefas cognitivas”, comentou Keith Fargo, que dirige programas científicos para a Associação de Alzheimer, nos Estados Unidos, à CNN. O especialista ainda explica que o cérebro é um órgão voraz, que precisa de quantidades altíssimas de nutriente e oxigênio para se manter saudável e funcionando adequadamente. Quando o corpo precisa desses recursos para lidar com o stress, há menos substâncias indo para o cérebro, o que prejudica seu desempenho.

Os pesquisadores ressaltaram que esses efeitos parecem ter afetado apenas as mulheres. De acordo com Richard Isaacson, da Weill Cornell Medicine, isso acontece porque o estrogênio, hormônio sexual feminino, pode aumentar o cortisol. No caso das participantes do estudo, os altos níveis de cortisol provavelmente estão associados ao fato de que cerca de 40% delas faziam terapia de reposição hormonal.

Como evitar o stress?

Conviver com o stress regularmente causa irritação e cansaço, o que afeta a capacidade de concentração. Além disso, o stress crônico pode interferir nos padrões de sono, apetite, libido e agravar condições de saúde como diabetes, doenças cardíacas e problemas gastrointestinais.

Para se livrar desse problema, a melhor solução é se acalmar. Como? Segundo Justin B. Echouffo-Tcheugui, da Universidade de Harvard, nos EUA, o stress pode ser reduzido com medidas simples, como dormir bem, praticar exercícios físicos regularmente e incorporar técnicas de relaxamento, como meditação e ioga, ao dia a dia. Também vale a pena conversar com um profissional de saúde sobre os níveis de cortisol e, se necessário, estudar a possibilidade de tomar algum medicamento para controlar a produção e liberação do hormônio.

Os cientistas alertam para o fato de que a redução do volume cerebral e do funcionamento cognitivo são indicadores para o risco de demência. “Nós já mostramos anteriormente que mudanças dessa magnitude podem predizer o nível de demência, até mesmo lesão cerebral vascular, duas ou três décadas depois”, disse Sudha Seshadri, coautora do estudo, à revista Time Health. A informação é da Veja.

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