Perfil que dissemina conteúdos nocivos é alerta para os pais

Com o nome de Jonathan Galindo, também chamado “Homem-Pateta”, perfil busca contato com adolescentes e crianças, enviando mensagens assustadoras e desafios, alguns com incentivo ao suicídio

Em tempos de distanciamento social, crianças e jovens sofrem com a quebra de suas rotinas, as incertezas sobre as repentinas mudanças, a ausência dos amigos, professores e até de familiares e com a falta de atividades que faziam parte de suas vidas. Nesse contexto, somado às dificuldades de pais que se veem tendo que lidar com mudanças no regime de trabalho e até na rotina com os filhos, que antes não passavam o dia todo em casa, a suscetibilidade das crianças e adolescentes a conteúdos prejudiciais se torna maior. Este é o cenário no qual surge um alerta para os pais – um perfil que pode estar disseminando conteúdos que incentivam ações como automutilação e suicídio entre os jovens e crianças.

Recentemente, um alerta da Polícia Civil de Santa Catarina chamou atenção para um conteúdo viral semelhante ao da boneca Momo. Foram descobertos novos perfis falsos no Facebook com o nome de Jonathan Galindo, também chamado “Homem-Pateta”, para supostamente atrair crianças e adolescentes. O objetivo conforme a polícia, é atrair jovens e crianças para conversas privadas, nas quais são enviadas mensagens assustadoras e desafios, alguns com incentivo ao suicídio.

A psicóloga e coordenadora do Núcleo Infantojuvenil da Holiste, Daniela Araújo, alerta que mais do que nunca, esse é um momento de atenção, pois os jovens e crianças aumentaram muito seu tempo nas telas de celulares e computadores, tendo acesso a diferentes tipos de conteúdo.

“É um momento de encontros com todo esse universo da internet, onde temos conteúdos bons e ruins. No caso do jovem não estar bem, ele vai buscar essas coisas ruins. A criança também pode ser afetada, pois ela se depara com o inesperado, por mais que ela não busque. Hoje, com as rotinas de todos alteradas, a ferramenta da tela é a mais fácil para os pais distraírem os filhos, e sabemos que ela pode ajudar, pode ser benéfica, mas é preciso que não seja a única atividade deles, e que haja limites”, diz Daniela.

Ela salienta que mesmo com as mudanças na forma de estudar e no dia a dia trazidas pela pandemia de Coronavírus, é preciso manter rotinas com as crianças e adolescentes.

“É interessante ter horários para cada atividade, manter algo do que era a rotina dos jovens e crianças, estabelecendo limites, mas não sem proporcionar um tempo livre e de lazer. Em relação à internet, até determinadas idades, é interessante fiscalizar mesmo, saber o que está sendo acessado. Se for uma criança, os pais podem colocar ela ao lado para usar o computador, o que também já é uma forma de estar participando da rotina”, explica.

Daniela enfatiza ainda que a internet não pode ser a única atividade das crianças e adolescentes. Os pais devem propor outras formas de ocupar o tempo em casa, como fazerem jogos, brincadeiras, atividades da casa, além de ter diálogo, fazerem refeições juntos, ter um momento de assistir um filme e conversar sobre ele, etc.

“Não é porque estão todos no mesmo ambiente que estão se relacionando. É preciso sair da facilidade, procurar outras atividades, com as quais haja afinidade, para desenvolver. Também é importante conversar sobre este momento, de como está sendo a adaptação com a escola, dar atenção à infância e à juventude no sentido de que a criança é gente, ela sente, ouve, percebe as coisas. É preciso falar, saber como ela está se sentido e considerar isso”, conclui a psicóloga.

SINAIS – Para saber se algo de anormal está se passando com um jovem ou crianças, é essencial observar os sinais apresentados. Mudanças de comportamento, atitudes agressivas, isolamento, dificuldade em manter convívio social, queda no rendimento escolar e consumo excessivo de internet são alguns deles. Caso esses alertas sejam percebidos, é necessário dialogar e tentar entender o que está acontecendo, e pode ser preciso buscar um profissional especializado.

Se o problema não for detectado e tratado, o jovem pode se ferir ou agredir terceiros. Segundo estudos desenvolvidos pela Opas, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos. *AT

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