O que vai ser envelhecer num mundo pós-Covid

Uma em cada duas pessoas no mundo apresenta comportamento que pode ser caracterizado como preconceito contra o idoso. Essa é a conclusão do relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde no dia 18, conclamando os países a combater esse mal que permeia as instituições de saúde e assistência social, a mídia e o sistema legal. A discriminação contra os velhos está associada a uma pior saúde física e mental, isolamento, solidão, insegurança financeira, precariedade na qualidade de vida e morte prematura. A estimativa é de que, globalmente, mais de 6 milhões de casos de depressão podem ser atribuídos ao preconceito.

“A pandemia amplificou a percepção da vulnerabilidade dos idosos, especialmente a dos marginalizados, porque são pobres, têm algum tipo de deficiência ou pertencem a minorias. Temos que transformar essa crise num ponto de inflexão para mudar como vemos e agimos em relação aos mais velhos”, afirmou Natalia Kanem, diretora-executiva do Fundo de Populações das Nações Unidas.

Combater o preconceito e desenvolver a alfabetização digital dos idosos: ações que os governos deveriam eleger como prioridades — Foto: Gennaro Leonardi para Pixabay

Combater o preconceito e desenvolver a alfabetização digital dos idosos: ações que os governos deveriam eleger como prioridades — Foto: Gennaro Leonardi para Pixabay

Entretanto, entre falar e fazer há uma grande distância, como mostra um outro estudo, publicado em fevereiro, na revista “The Lancet Healthy Longevity”. Embora os dados se refiram ao Reino Unido, os assuntos dizem respeito à humanidade como um todo, como a constatação de que as pessoas estão vivendo mais, mas com a saúde debilitada. Muitas das questões listadas foram exacerbadas com a pandemia. Por exemplo, a necessidade de desenvolver as habilidades digitais dos idosos, já que esta é uma barreira que impacta o acesso a serviços de qualidade, conexões sociais e segurança financeira.

Raça e status socioeconômico têm sido determinantes para o desfecho favorável, ou não, da existência dos indivíduos. O diagnóstico recorrente deste último ano: a pandemia escancarou a desigualdade. Entre as recomendações do relatório estão um volume maior de investimentos para estudar o processo de envelhecimento; inclusão de idosos em pesquisas clínicas; mapeamento dos fatores sociais e ambientais que podem afetar o bem-estar na velhice. A sobrecarga dos sistemas de saúde e a perspectiva de termos que lidar com as múltiplas sequelas provocadas pela Covid-19 aumentarão o desafio de pôr em prática as propostas. No entanto, o que não se deve perder de vista é que uma sociedade que trata todos de forma justa é a que sairá mais forte das adversidades. A hora da mudança é agora. *G1

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