Novembro Laranja: mês de alerta para os cuidados com a audição

Especialistas afirmam que o uso de fones de ouvido em excesso, durante a pandemia, pode desencadear problemas auditivos

            Durante todo este mês é realizado o Novembro Laranja, uma Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido, criada em 2006. O momento também serve para chamar a atenção para outros problemas de audição, como a misofonia e hiperacusia, que juntas afetam milhões de pessoas de todas as idades, em todo o mundo.

O zumbido pode ter uma ou várias causas, como problemas no sistema auditivo, alterações no metabolismo, mudanças hormonais e cardiovasculares, doenças neurológicas e psiquiátricas, problemas odontológicos e variações musculares da região de cabeça e pescoço, além de lesões e outros. O problema pode aparecer em qualquer idade, inclusive nas crianças.

Já a misofonia é um problema caracterizado pela intolerância seletiva a sons comuns, como mastigar, digitar, clicar com a caneta, fungar, pigarrear por exemplo. Por sua vez, a hiperacusia é caracterizada pela diminuição da tolerância ao volume de sons de músicas, conversas, TV etc.

“Embora muitas pessoas negligenciem esses sintomas, eles merecem total atenção e acompanhamento especializado desde a infância e a adolescência, pois quando aparecem nos muitos jovens, eles acabam sendo considerados antissociais,” comenta o otorrinolaringologista Marcus Juncal, presidente da Associação Baiana de Otorrinolaringologia (ABAO).

 

            Pandemia

Embora o envelhecimento natural do ouvido seja um dos fatores da perda auditiva, a exposição ao ruído em excesso contribui cada vez mais com o problema. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de adultos jovens correm o risco de apresentar esta patologia de forma permanente e evitável devido a práticas do dia a dia consideradas inseguras.

“O uso excessivo de fones de ouvido, durante a pandemia por causa do home office ou das aulas remotas, por exemplo, pode aumentar as chances de problemas de audição no futuro, como o zumbido, e causar, inclusive, perda auditiva gradativa. Uma das maneiras para cuidar bem do ouvido é usar protetores auriculares em festas e shows, evitar passar muito tempo com fones em potência máxima, hidratar-se bastante, estimular a audição com baixo volume e reduzir o contato do celular”, afirma o médico Marcus Juncal.

Crianças pequenas que até então não tinham o costume de utilizar fones de ouvido, hoje passam horas expostas a sons em altos volumes, por causa das aulas remotas. Mesmo que a perda auditiva não seja imediata, esse aumento no tempo de exposição pode gerar também um impacto direto na linguagem, na comunicação e no desenvolvimento acadêmico.

“Para utilizar o fone de ouvido de maneira segura, o ideal é manter o volume abaixo de 80 decibéis. Na prática, isso significa que quem está ao seu lado não deve escutar o som do seu fone. Caso isso aconteça, é sinal que ele está alto demais”, completa Marcus Juncal.

 

            Tratamento

Para tratar o zumbido é preciso conhecer as suas causas, investigando o organismo em busca dos “gatilhos”, ou seja, dos elementos que pioram o desconforto e fazer um acompanhamento multidisciplinar. Já o tratamento da misofonia e da hiperacusia pode ser feito com medicações e dessensibilização com sons. A terapêutica apresenta resultados positivos, levando mais qualidade de vida para quem sofre com seus sintomas.

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