“Não existe má intenção”, diz padre Robson, investigado por desviar doações

O padre Robson de Oliveira Pereira está sendo investigado pelo Ministério Público de Goiás por supostos desvios de doações de fiéis em valores que podem superar R$ 120 milhões. Na sexta-feira (21), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP deflagrou a Operação Vendilhões que apura suposta apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e sonegação fiscal.

Após a repercussão das investigações, a arquidiocese de Goiânia suspendeu temporariamente o direito do padre Robson de realizar celebrações. Conforme o decreto, o religioso está afastado de suas funções religiosas até janeiro de 2022.

O pároco também decidiu se afastar temporariamente da reitoria do Santuário Basílica de Trindade e da presidência da Afipe. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, padre Robson afirma que sempre esteve e continua à disposição do Ministério Público.

“Esse meu pedido de afastamento vai me permitir colaborar com as apurações da melhor forma e com total transparência para que seja confirmado que toda a doação que fazemos ao Pai Eterno, terços rezados, dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregados na evangelização foi toda —repito— toda empregada na própria associação, a Afipe, em favor da evangelização”, continuou.

MP aponta desvio de dinheiro por meio da Afipe

De acordo com o MP-GO, o padre Robson e a Afipe, criada em 2004 e até então presidida por ele, usavam de “laranjas” e empresas de fachadas para desviar recursos oriundos de doações de fiéis e lavar dinheiro da entidade.

Na decisão que autorizou a Operação Vendilhões , a juíza Placidina Pires afirma que, “além da suposta utilização das doações dos fiéis para a aquisição de imóveis de elevado valor econômico, infere-se que investigados estariam envolvidos em um articulado esquema criminoso voltado ao desvio de verbas das Afipe e à consequente lavagem, dissimulação e ocultação dos recursos, por meio de ‘laranjas’ e empresas de ‘fachada’ – com vistas a dificultar o rastreamento do dinheiro e posterior ressarcimento dos danos suportados pela entidade religiosa”.

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, no domingo (23), o padre negou que haja atividades ilícitas. “Não existe nenhuma má intenção, nenhuma atividade criminosa, nenhuma atitude [ilícita]. Agora, são números altos? São. Os números é que me condenam? Não. Porque tudo que a Afipe faz é dentro da regra, da finalidade e da lei”, disse o pároco.

Conforme o padre, o dinheiro das doações foi investido legalmente em imóveis e outras atividades econômicas para gerar mais dinheiro para a evangelização, em vez de ser aplicado em um banco, por exemplo.

“Entendemos que a melhor coisa seria: vamos fazer investimentos imobiliários, compramos fazendas, gados, fizemos investimentos que são totalmente dentro das finalidades da entidade, e por isso totalmente lícitos, e por isso a gente foi fazendo. Chegamos a um patamar grande”, disse o religioso ao Fantástico. *Istoé

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