“Mudanças positivas no estilo de vida, quando não previnem, pelo menos retardam o aparecimento do câncer”, defende especialista

por Carla Santana

Tumores como os de próstata, o câncer mais frequente no homem, o de rim e o de bexiga correspondem a uma parcela significativa dentre todos os tipos de neoplasias malignas. A evolução dos exames, os procedimentos de rastreamento em massa e a maior conscientização sobre a necessidade de consultas e acompanhamento médico têm colaborado para  que mais pessoas descubram a doença em estágio precoce, quando as chances de cura são bem maiores. Entretanto, muitos ainda negligenciam o papel fundamental do estilo de vida na prevenção da doença. Embora fatores como predisposição genética (hereditariedade) não possam ser alterados, a mudança de hábitos pode contribuir de forma decisiva para evitar ou, pelo menos, adiar o aparecimento de parcela considerável de tumores.

De acordo com o uro-oncologista Augusto Modesto, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Urologia – seção Bahia (SBU-BA), “o controle de estresse; a alimentação mais saudável; a prática regular de exercícios físicos; o controle de peso; o fim do uso do tabaco e outras drogas, inclusive bebidas alcoólicas, somados à realização de checkups anuais para acompanhamento dos protocolos de prevenção por idade podem fazer toda a diferença na prevenção dos cânceres e outras doenças”, destacou o especialista.

Infelizmente, os homens não têm o hábito de se consultar com um urologista com a mesma frequência que as mulheres vão ao ginecologista, o que dificulta a prevenção e o diagnóstico precoce de diversas doenças. Na verdade, o homem não deve esperar sentir alguma dor ou sintoma para ir ao médico. Por volta dos 40, 45 anos, começa um período em que ele deve consultar anualmente um urologista. Para aqueles que possuem histórico familiar e/ou são negros, a partir dos 45 anos é necessário começar a prevenção contra o câncer de próstata, que é considerado o segundo tumor mais comum em todo o mundo, sendo o principal entre homens. Para aqueles que não possuem histórico familiar, nem são negros, a prevenção pode ter início a partir dos 50 anos. “Essas são as recomendações atualizadas da Sociedade Brasileira de Urologia”, frisou Augusto Modesto.

O checkup adequado pode prevenir não só tumores urológicos, mas também diversos tipos de problemas que acometem os homens. Se, mesmo adotando um estilo de vida saudável e sendo acompanhado anualmente por um urologista, o câncer aparecer, o homem não precisa se desesperar diante de um diagnóstico. Atualmente, a gama de opções de tratamento é enorme para os diversos tipos de tumor urológico e as chances de cura, quando a doença é descoberta no início, ultrapassam os 90%.

Segundo o uro-oncologista Augusto Modesto, que é mestre em oncologia, a evolução no diagnóstico e tratamento do câncer mudou muito nas últimas décadas. “Hoje, o tratamento de um tumor na próstata, por exemplo, é diversificado e feito de forma personalizada: vai desde um acompanhamento vigiado (conhecido como Vigilância Ativa) até uma cirurgia robô assistida”, resumiu. Para um tumor localizado da próstata, que não se espalhou para outros órgãos, por exemplo, cirurgia  – aberta, laparoscópica ou robótica, radioterapia e até mesmo a vigilância ativa podem ser oferecidas como opções. Doença localmente avançada pode requerer radioterapia e/ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal. Para doença metastática, quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo, o tratamento mais utilizado tem sido a terapia hormonal e/ou quimioterapia.

A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um. Todo tratamento mal indicado pode levar a consequências e complicações que poderiam ser evitadas. “E, se tratando de procedimentos mais invasivos, vale sempre a pena ter uma segunda opinião de um médico de referência da família ou que algum familiar médico indique. A construção da relação entre o médico escolhido e  o paciente é a chave do sucesso do tratamento, lembrando que a personalização é palavra de ordem na medicina do século XXI”, completou Augusto Modesto.

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