Encontro discute Indicação Geográfica para azeite de dendê no Baixo Sul

Dando continuidade ao debate sobre as estratégias para o fortalecimento da cadeia produtiva do dendê, foi realizado, nesta sexta-feira (23), no Ginásio de Esportes Francisco Lima Moreira, no município de Igrapiúna, mais um encontro de pesquisadores e produtores rurais de Azeite de Dendê do Baixo Sul da Bahia.

O encontro foi promovido pelo Instituto de Geociências e a Escola de Nutrição, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e o Instituto Federal Baiano (IFBAIANO/Valença), em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).

No encontro foi discutida a viabilidade de solicitação do registro de Indicação de Procedência (IG) para o azeite de dendê, instrumento usado para identificar a origem de produtos ou serviços, reconhecendo as características ou a qualidade desses produtos ou serviços, de uma determinada região. O azeite de dendê é produzido numa extensão territorial de mais de 20 mil hectares, envolvendo mais de 28 municípios dos Territórios de Identidade Baixo Sul, Recôncavo Baiano, Litoral Sul e Costa do Descobrimento.

Ana Cristina Souza, coordenadora técnica da Bahiater/SDR, participou ministrando palestra sobre o papel da Bahiater no fortalecimento da cadeia produtiva do dendê na Bahia. Ela destacou a importância de promover a divulgação do conceito e conteúdo do processo do selo da Indicação Geográfica: “Com o selo, há garantia da qualidade, da reputação e da identidade do produto azeite de dendê. A Bahiater, na organização deste seminário, juntamente com o Consórcio CIAPRA Baixo Sul, a Universidade Federal da Bahia e outros parceiros, vem alinhando conhecimentos, realizando a mobilização e divulgação do conceito de Indicação Geográfica, além de contribuir no processo de construção e de registro”.

O professor Doutor do Instituto de Geociências da Ufba, Alcides Caldas, destacou que atualmente, no circuito nacional, existe  a propriedade industrial de 60 produtos de indicação geográfica, uma discussão que envolve uma dezena de produtores e produtos do Brasil: “Nós estamos começando o debate sobre a Indicação Geográfica nesta região do Baixo Sul agora, mas ela  se estende por outros territórios porque o que interessa nesta discussão é a paisagem e a territorialidade de cada produto. Na Bahia, temos três produtos: a cachaça da microrregião de Abaíra, as amêndoas de cacau do Litoral Sul e o café do Oeste, da região de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães.”

Adelino Dias Sacramento, produtor de dendê, do município de Igrapiúna, defende e reconhece a importância da produção do dendê no Território Baixo Sul. “O dendê é um produto nativo da nossa região, que já esteve em desvalorização, mas hoje voltou a ser grande gerador de renda. Existem classificações diferenciadas do dendê, mas o dendê comum, nativo desta região, é o mais sustentável e é de onde toda a comunidade tira o sustento.”

Mais informações – Nos dias 29 e 30 de agosto, no Centro de Formação da SDR, localizado em Itapuã, a Bahiater/SDR, em parceria com a UFBA, promoverá uma capacitação com o tema Indicação Geográfica e sua aplicação para o desenvolvimento territorial. A formação é voltada para técnicos da SDR e entidades parceiras. *CAR

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