Em Israel, Bolsonaro defende que nazismo foi movimento de esquerda

por Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) demonstrou irritação com jornalistas ao fim de um encontro com membros da comunidade brasileira em Israel, em Jerusalém, nesta terça-feira (2).

Em discurso, ele falou sobre as mudanças no Brasil desde que foi eleito e lembrou a posição a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT). Na ocasião, em 2016, Bolsonaro justificou o voto “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, pavor de Dilma Rousseff”.

Segundo o presidente, “um dono de centro de pesquisas falou que, depois daquele voto, não mais me elegeria sequer para vereador. Aconteceu exatamente o contrário”.

“As palavras ali proferidas por mim tiveram um impacto dentro e fora do Brasil por alguns dias. Mas eram palavras que estavam sedimentadas em João 8:32. A verdade tinha que ser conhecida”, disse.

Ao fim do evento, os jornalistas perguntaram por que o presidente lembrou desse evento em meio ao atual debate, sobre os 55 anos do golpe militar de 1964. “Mais alguma pergunta?”, respondeu, ignorando a indagação.

Em seguida, irritado com uma questão sobre a definição de nazismo como um movimento de esquerda e a quantidade de viagens que tem feito, Bolsonaro disse que quer tratar os jornalistas “com o respeito que merecem”.

“Essas perguntas menores só dão manchetes negativas em jornais. Não vou responder.”

Mas, indagado sobre a fala do chanceler Ernesto Araújo, que associou o nazismo a movimentos de esquerda, disse concordar com o ministro.

“Não há dúvida. Partido Socialista… Como é que é? Da Alemanha. Partido Nacional Socialista da Alemanha.”

Mais tarde, em Brasília, o presidente interino, Hamilton Mourão, se opôs a essa visão. “Vocês têm dúvida disso?”, perguntou a jornalistas ao ser questionado se o nazismo é de direita ou de esquerda.

“De esquerda é o comunismo, não resta a mínima dúvida. Nazismo e comunismo são duas faces de uma moeda só, a do totalitarismo”.

Antes do encontro com brasileiros, Bolsonaro visitou o centro de memória do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, museu público que lembra as vítimas e os que combateram o genocídio de 6 milhões de judeus pelos nazistas.

Ao colocar flores no Hall da Memória do museu, Bolsonaro afirmou que “aquele que esquece o seu passado está condenado a não ter futuro”. Ele visitou uma exposição de fotos e assinou o livro de honra.

Bolsonaro afirmou também que o museu é um “local onde fazemos um exame de consciência” e terminou sua declaração com uma frase de apoio ao país: “Eu amo Israel”.

Em cerimônia tradicional, ele reavivou a chamada Chama Eterna e prestou continência, gesto que repetiu diversas vezes durante a viagem.

Na sequência, colocou uma coroa de gérberas num túmulo que simboliza os mortos, inaugurou uma placa em nome do Brasil e plantou uma oliveira no Bosque das Nações –onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também plantou uma árvore, em 2010.

Indagado por jornalistas se o escritório de negócios que será aberto em Jerusalém terá também representação diplomática, Bolsonaro respondeu apenas que “um grande casamento começa com um namoro e um noivado”. “Estamos no caminho certo”, disse.

O presidente voltou a criticar a relação entre Brasil e Israel durante as gestões Lula e Dilma. “Passamos momentos difíceis, dois governos de esquerda, o último inclusive não aceitou as credenciais do embaixador indicado. Logicamente fiquei muito constrangido naquela época”, afirmou.

Em 2015, Dilma se recusou a aceitar as credenciais de Dani Dayan, ex-líder de um grupo de colonos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, porque o Brasil, assim como a maior parte da comunidade internacional, considera ilegais os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Segundo Bolsonaro, a relação entre os dois países vai melhorar. “Aqui em Israel nós nos complementamos. Nossas commodities e a tecnologia daqui, temos tudo para sermos maiores do que somos.”

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