É possível conviver com a dor?

Fisioterapeuta do Sistema Hapvida explica como os portadores de doenças crônicas devem agir no dia a dia

Os poetas e compositores muito falam sobre a dor romântica, causada pela falta do ser amado. Mas, há algumas dores crônicas que machucam tanto quanto esta e, nestes casos, os profissionais da saúde podem colaborar no controle dos quadros. Tomando como referência o lúpus e a fibromialgia, lembradas ao longo da campanha do fevereiro roxo, é possível mudar algumas práticas diárias que facilitem a vida das pessoas que precisam viver com as patologias.

O diagnóstico precoce de doenças crônicas é um dos principais fatores que auxiliam na maneira como vai ser conduzido o processo delas no organismo do indivíduo. A fisioterapeuta do Sistema Hapvida, Marcela Mattos, destaca que os sintomas apresentados na lúpus e fibromialgia, por exemplo, interferem substancialmente no dia a dia desses pacientes, alterando a rotina, os relacionamentos interpessoais, além da autoestima. “Quanto antes diagnosticadas, torna-se possível amenizar os efeitos deletérios, com foco na prevenção de novas lesões e diminuindo o quadro álgico, garantindo melhor qualidade de vida desses pacientes”, afirma a especialista.

Marcela chama a atenção que, por se tratar de um perfil multifatorial, o indivíduo que apresenta essa patologia deve ser, antes de tudo, muito bem acolhido pelos familiares, cônjuges e amigos, já que as queixas de dor podem ser constantes e interferir diretamente nos relacionamentos. Além dessa rede de apoio, é imprescindível o acompanhamento multiprofissional com médico, psicólogo, fisioterapeuta e nutricionista, que juntos auxiliarão no entendimento das doenças e criarão estratégias de adaptações no dia a dia.

E os exercícios físicos?

Independentemente do que o paciente apresente, uma recomendação é inerente a qualquer ser humano: a prática de atividade física. Seja em academia ao ar livre, se movimentar é fator determinante para a manutenção da saúde. Mas, no caso dos portadores de doenças crônicas, esse movimento precisa ser feito com cautela e um maior acompanhamento. “Antes de realizar a prescrição de exercícios, deve-se fazer uma avaliação fisioterapêutica criteriosa do paciente, abordando aspectos como limitações funcionais (se tem mobilidade reduzida), doenças pré-existentes (hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas) e medicações em uso que podem alterar o desempenho da atividade. Estas informações ajudam a individualizar a prescrição e direcionar o tratamento, principalmente por se tratar de patologias que se caracterizam por dores generalizadas em todo o corpo”, explica a fisioterapeuta.

Marcela ressalta que os exercícios físicos aeróbicos, como caminhada, esteira e hidroginástica são altamente indicados por promoverem melhora da circulação, diminuição da pressão arterial, além de liberar substâncias e hormônios que melhoram a dor, bem-estar e qualidade de vida desses indivíduos. “Associado ao treino aeróbico, diversos estudos indicam a realização de exercícios resistidos (para ganho de força muscular), mobilidade articular e alongamentos, que auxiliam na redução dos sintomas. Deve-se salientar que a frequência e a duração dos exercícios devem ser gradativas de acordo com a condição física do paciente”, finaliza.

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