É assim que você entra na universidade em outros países da América do Sul

(imagem Pixabay)

Embora alguns países da América do Sul tenham uma avaliação padronizada para o ingresso nas suas universidades, a diversidade de vias de entrada é comum nos processos de admissão dos estudantes.

No Chile, por exemplo, desde 2003 é aplicado um teste de seleção, o chamado PSU (Prueba de Selección Universitaria), como processo padronizado para o ingresso nas universidades estaduais e para várias universidades privadas. No Brasil, o vestibular também é uma prática comum e rigorosa entre as universidades públicas, recentemente substituído em muitas instituições pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), instituído em 2009.

No entanto, fazer um exame fundamental para ingresso no ensino superior não é uma prática universal na América do Sul. Na verdade, a modalidade nacional de admissão com provas eliminatórias é minoritária no Continente e em muitos territórios, onde instituições de alto nível não estipulam barreiras para matricular os estudantes, mesmo que estes sejam estrangeiros.

Confira abaixo como é o ingresso nas universidades de vários países da América do Sul

Argentina

No vizinho transandino, ao contrário do modelo chileno, não há teste padronizado. Portanto, cada universidade pública ou privada da Argentina estabelece seus próprios requisitos de entrada. Na Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das mais tradicionais da América Latina, não é aplicada nenhuma prova, mas sim o chamado Ciclo Básico Comum (CBC). Nele, o aluno frequenta dois semestres cursando disciplinas globais, duas determinadas pela orientação da carreira e outras duas específicas da própria carreira. Só continua os estudos na UBA quem alcança média 7,0 nesta fase.

Na Argentina existem também instituições que aplicam suas próprias provas, como a Universidade Nacional de La Plata, e outras que oferecem diversas formas de admissão, como a Pontificia Universidade Católica Argentina – que tem cursos com provas para o ingresso e modalidades de ingresso direto.

Uruguai

À semelhança do sistema argentino, as diferentes universidades uruguaias estabelecem suas próprias provas de admissão ou cursos de nivelamento. A  Universidade da República (UdelaR), a mais importante do Uruguai, adere ao teste universitário; enquanto a Universidade de Montevidéu, outra das mais importantes instituições do país, estipula um teste de aptidão (que considera conteúdos relacionados à carreira), bem como uma entrevista.

Brasil

No Brasil, a tendência é que o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) se torne definitivamente o teste padronizado para o ingresso em todas as universidades do país. Algumas instituições públicas federais e estaduais ainda recorrem ao vestibular, como as provas mais concorridas aplicadas pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular).

Outras diferenças são percebidas na modalidade de teste, pois é comum dividir a avaliação em duas etapas sem oferecer uma seleção de disciplinas envolvidas com o curso escolhido. Por exemplo, o aluno que deseja ingressar em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) deve fazer uma prova de múltipla escolha que envolve desde língua, história e inglês até física, química e biologia. Caso ele não tenha uma pontuação mínima necessária, deverá estudar para tentar novamente em uma próxima data.

Peru

No Peru, vizinho do Brasil ao norte, não existe um teste padronizado para entrar no ensino superior, mas cada universidade aplica seus próprios requisitos. A admissão ocorre por meio de exame de conhecimentos do Ensino Médio. Algumas exceções são abertas para atletas de destaque, para alunos que se destacam nos primeiros lugares do ensino médio, entre outras modalidades.

A Pontificia Universidad Católica del Perú, por exemplo, aplica uma prova chamada ‘Avaliação de Talentos’. Por outro lado, a Universidade Nacional de Engenharia (UNI) estipula uma semana para aplicação de vários testes: matemática, física e química, e finalmente uma avaliação de ciências sociais.

Colômbia

Na Colômbia, um modelo misto de teste padronizado e autoavaliação é evidente. O teste Saber 11, ou ICFES (Instituto Colombiano para el Fomento de la Educación Superior) funciona como seleção para os candidatos ao ensino superior no país. A prova é dividida em ciências naturais, ciências sociais e cívicas, matemática, leitura crítica e inglês. Por sua vez, a Universidade Nacional da Colômbia (instituição pública) aplica seu próprio teste para selecionar os alunos.

Equador

Para entrar na universidade no Equador é preciso fazer o teste ENES (Examen Nacional para la Educación Superior), que até 2014 era obrigatório para todos os alunos do último ano do Ensino Médio. A partir de 2016, a referida avaliação foi unificada com o exame ‘Ser Bachiller’, que avalia o desenvolvimento das aptidões e competências que os alunos devem atingir no final do Ensino Médio, necessárias para o desenvolvimento bem-sucedido da cidadania e para o acesso ao ensino superior.

As universidades podem também aplicar processos adicionais para admitir alunos em seus cursos, como entrevistas, audições, ensaios, entre outros métodos. Por exemplo, a Universidade San Francisco de Quito (USFQ) aplica a Prova de Aptidão Acadêmica (PAA) que considera o raciocínio em matemática, redação e a aptidão verbal.

Venezuela

A prova fundamental do processo de ingresso no ensino superior na Venezuela chama-se Prueba Nacional de Exploración Vocacional (PNEV). De acordo com o Governo, o seu propósito é ajudar os alunos a tomarem uma decisão sobre o seu futuro profissional, explorando os seus gostos, interesses e motivações. Isso não mede conhecimentos, nem tem como finalidade a exclusão como o já eliminatório Teste de Aptidão Acadêmica.

Embora o governo venezuelano se pronuncie contra os exames de admissão por considerá-los um elemento discriminatório, algumas escolas tiram a média das notas do candidato para admissão e outras – como a Universidade Central da Venezuela (UCV) – estabelecem seus próprios exames.

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