Dois novos remédios para câncer de próstata são aprovados




Ela mostrou poder de fogo numa situação bastante específica. Imagine um paciente que passou inicialmente por radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia e, após alguns meses, viu seu câncer voltar. Os médicos percebem a recidiva por meio de um exame de sangue que mede os níveis de PSA. Quando essa enzima está muito alta, é sinal de problema.

Na sequência, os protocolos indicam uma segunda rodada de hormonioterapia, cujo objetivo é cortar a ação da testosterona, hormônio que é “sequestrado” para que o tumor continue crescendo. Infelizmente, existe uma parcela de indivíduos que não se dá bem com esse plano B e, algumas semanas depois, a doença dá mostras de que ainda está firme e forte na próstata, segundo os números do PSA.

O próximo passo é a metástase. Em outras palavras, o tumor começa a migrar para outras áreas do corpo. Eis que o comprimido apalutamida age antes desse momento, como uma terceira tentativa de resposta antes que as células cancerosas resolvam se espalhar pelos quatro cantos do organismo e complicar ainda mais o quadro.

“Até agora, a única coisa que nos restava após as duas rodadas de tratamento era esperar a metástase e, aí sim, usar os medicamentos disponíveis para tratar a enfermidade nesse estágio mais avançado”, diz o urologista Rodolfo Borges dos Reis, da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto.

Os estudos que serviram de base para a liberação do novo medicamento foram realizados em 26 países e envolveram 1 200 voluntários. Dois terços deles engoliram os comprimidos de apalutamida, enquanto o terço restante tomou pílulas de mentirinha. Aqueles que receberam o fármaco de verdade tiveram uma redução de 72% no risco de metástase ou morte.

Os resultados foram publicados no prestigiado periódico científico The New England Journal of Medicine e apresentados durante um simpósio da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. A droga já está disponível nos Estados Unidos desde 14 de fevereiro. A Janssen espera que ela chegue ao Brasil ao longo de 2019.

Foto: Ilustrativa

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