Por Bem EstarNesta segunda feira, 2 de abril, celebra-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Muito se fala, muito se escreve e muito se divulga sobre o autismo e, no entanto, boa parte das pessoas ainda não sabe ou entende exatamente do que se trata. São muitos os que também não conseguem identificar uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA).Autismo é a mesma coisa que TEA? 

O TEA, como o próprio nome aponta, é um “espectro”. Isso significa que várias condições ligadas ao autismo foram englobadas em um único diagnóstico. Assim, fazem parte do TEA o autismo propriamente dito, a Síndrome de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS). Todos estes diagnósticos, portanto, fazem parte do “Transtorno do Espectro Autista”, ou TEA.

O que é o TEA? 

O TEA é uma condição consequente a uma complexa desordem que ocorreu no desenvolvimento do cérebro. Não se sabe identificar ainda a sua exata causa. Acredita-se, no entanto, que haja um forte componente genético, posto que irmãos de autistas tem uma chance até 25 vezes maior de também serem portadores do transtorno. Entende-se também que fatores ambientais possam ter alguma interferência na gênese no TEA.

O TEA é muito comum?

Estudos indicam que o TEA pode atualmente acometer 1 em cada 100 crianças no mundo, aproximadamente. Isso significa que no Brasil deve haver mais ou menos 2 milhões de crianças com o Transtorno do Espectro Autista. Os meninos são mais frequentemente acometidos.

Como identificar uma criança com TEA?

As crianças com TEA podem apresentar sinais bem precocemente, antes dos 3 anos de idade. Alguns bebês já podem, inclusive, demonstrar sinais sugestivos de TEA. De uma forma geral e resumidamente, os sinais do TEA relacionam-se a três áreas mais dominantes:

– Interação Social: as crianças têm dificuldade para estabelecer contato visual ou físico. Bebês, por exemplo, podem não fixar os olhos nos adultos cuidadores. Há muita dificuldade em compreender as emoções dos outros; o que dificulta os relacionamentos sociais.

– Comunicação verbal ou não-verbal dificultada e/ ou prejudicada.

– Comportamento: as crianças com TEA tendem a ter gestos repetitivos, contínuos e estereotipados; gostam de repetir o que estão fazendo e detestam mudanças de rotina.

Há outros sinais. Estes são os mais comuns.

Todas as crianças com TEA têm o mesmo grau de sintomas?

Não. Importante saber que  o TEA é um “espectro”, também em relação à intensidade dos sintomas. Os quadros podem variar bastante e, por isso, sabe-se que o TEA é uma condição individual. Cada um tem seu grau próprio de dificuldade em áreas específicas. Há os sintomas comuns que definem o TEA, mas cada um tem um grau de comprometimento diferente do outro. Por exemplo, há os que têm dificuldade intelectual e outros com inteligência acima da média.

Por isso, o diagnóstico é complexo e só pode ser realizado por uma equipe multiprofissional treinada.

O TEA tem tratamento?

As crianças com TEA precisam de uma equipe multiprofissional ao seu lado para garantir, para cada uma, o máximo de sua potencialidade individual.

O TEA é uma condição permanente. Por isso, há que se ter muito cuidado com tratamentos “milagrosos” e sem nenhuma comprovação científica.

Dra. Ana Escobar é médica pediatra formada pela Universidade de São Paulo e professora livre docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).