Colunista Moacir Saraiva: “Você está com saudade do meu picolé?”

 

Alguns fatos que são narrados hoje, em relação a comportamentos antigos, causam estranheza e até dúvidas, pois muitos não acreditam no que ouvem. Certamente daqui a 30 anos ou até menos, algumas narrativas do que se vivencia nos dias atuais não terão crédito, assim é a história. Por exemplo, a juventude moderna, ao olhar uma máquina de escrever, fica pensando como aquela jeringonça funcionava.

Quanto a algumas práticas do passado, nos jovens de hoje, provocam espantos ao ponto de acharem tratar-se de histórias do outro mundo, pura ficção. Vamos aqui relatar uma que é centro de outras coadjuvantes: Um sujeito bem tradicional mantinha uma filha bem protegida, aos olhos de hoje, uma proteção exagerada e maléfica. A moça era levada para o trabalho e também o motorista ia buscá-la, aliás, o motorista sempre com o pai da moça ou com a mãe, sozinha, dentro de um carro, com um homem estranho era o fim dos tempos para o pai “zeloso”.

Fim de semana era um sufoco para a jovem, uma mulher bonita, mas sem coragem de desobedecer aos pais, pois cria ela que, se assim agisse, iria para as profundezas dos infernos. Domingo era missa, pela manhã, e, à tarde, casa dos tios ou tias e sempre acompanhada pelos pais.

Aconteceu um “momento de fraqueza” dos pais da moça que a liberaram para passar quinze dias na casa de tios, em outra cidade, no período de férias, coisa rara de acontecer, entretanto com duzentas mil recomendações, inclusive algumas por escrito.

A moça, nesses quinze dias, conhece um moço filho de um dono de bar cujo produto mais forte era a fabricação de picolés. Era um produto bastante respeitado na cidade e na região. Os dois tiveram pouco contato, mas o suficiente para deixar marcas tanto em um como no outro.

Após o retorno da moça e passado alguns dias, ele envia uma carta para a amada e eis que o pai, como fazia, lia as cartas enviadas à filha e as abria de uma forma tal que ela não percebia o delito. Nesta carta o sujeito faz a seguinte pergunta à moça:

– Você está com saudade de meu picolé?

Isso foi motivo de briga feia, pois, o pai da moça, interpretou isso como algo libidinoso. O sujeito teve crise de coração, foi levado ao hospital  e quando recuperou a consciência, brigou com o irmão para onde a moça fora passar os quinze dias, pois o pai o acusou de negligente. Ela foi castigada severamente e, não satisfeito, o pai foi atrás do rapaz autor daquele desrespeito com a filha. Praticamente o obrigou a desposar a filha e de forma rápida, pois o teor daquela pergunta, na carta, revelara que o rapaz já fizera mal à filha e assim ela não poderia ficar falada, pois iria manchar a “honra” da família.

 

 

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