Colunista Moacir Saraiva: “Que vergonha!”

 

O sujeito sofre um acidente, de pequena monta, entretanto foi necessário levá-lo a uma emergência hospitalar a fim de que exames fossem feitos para não pairarem dúvidas sobre o estrago provocado pelo capotamento do carro.

Um sujeito com seus 40 anos interiorano, estava visitando a capital por motivos festivos, ele era o único dos irmãos que ainda não havia deixado de viver em uma cidade do interior. Um moço arraigado nas tradições, mesmo tendo dinheiro não ostentava isso, se vestia de uma forma simples e usava as roupas até se deteriorarem por completo, enquanto pudessem ser remendadas ele não as dispensava.

O acidente foi distante de uma emergência, houve demora na chegada do socorro e, para agravar a situação, a cidade está cheia de obras, isso implicou em um atraso muito grande para a chegada do acidentado ao hospital. Foi o tempo suficiente para que alguns familiares o esperassem no hospital, a esposa com uma irmã e dois irmãos do enfermo, um deles médico.

Ao ser socorrido na emergência, o irmão, por ser médico, entrou e o plantonista socorrista era uma médica. Tiveram de tirar a roupa do sujeito, quando desceram a calça, todos se depararam com algo inusitado, para os tempos modernos, o sujeito vestia uma cueca samba-canção. Não era uma vestimenta alinhada, isso foi o que mais chamou a atenção de todos que estavam no entorno do paciente, era uma cueca, bem antiga, encardida, cheia de remendos e alguns buracos.

Diante desse quadro, e também pelo fato de o paciente estar bem, o foco de todos que estavam ali destinou-se à cueca. As atendentes mais novas nem conheciam este tipo de cueca, a médica conheceu tais peças no pronto socorro atendendo, principalmente, homens idosos. Pareciam estar diante de uma vestimenta do outro mundo, ou de épocas remotas, tamanho foi o espanto, além de tudo, uma peça totalmente deteriorada.

Alguns da equipe não foram capazes de conter o riso, no irmão subiu um sentimento de raiva e de vergonha, ficou ruborizado, uma vez que ele conhecia toda a equipe que assistia aquele paciente que era seu irmão mais velho.

Ao sair da sala e ao encontrar a esposa, o irmão vociferou:

– Porra, cunhada, como deixa meu irmão usar uma cueca daquelas. Toda remendada, com rasgos enormes e encardida?

Continuou o indignado irmão:

– Passei a maior vergonha de minha vida.

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