Colunista Moacir Saraiva: “O choro da princesa”

 

As princesas, no imaginário do povo, sobretudo das crianças, se constituem em seres extraterrestres, essa também foi a imagem passada ao longo dos séculos, ainda mais quando tal idéia vem nas histórias infantis, seja na literatura, no cinema e no teatro.

Conheci uma criança que era alcunhada por “Princesa”, a mãe e os familiares mais próximos esqueceram o nome da menina e só a chamavam de “Princesa”, pelo fato de a filha ser uma menina com um grau de beleza acima do normal, bem acima, segundo a mãe.

Uma princesa por ser um ser que está acima do ser humano não comete transgressões sociais específicas de nós mortais. A criança era tratada assim, e com regras bem definidas de uma boa menina e, portanto, não poderia ter comportamento nem práticas da gentalha.  Mas, por mais que uma garota ou um garoto seja adestrado para ser um príncipe ou uma princesa, às vezes, aparecem os momentos de um ser humano em seu comportamento.

A Princesa, em um ambiente familiar percebeu que uma tia, soltou um pum que fez um barulho fora do normal, ela jamais tinha ouvido aquilo. Ao retornar para seu lar, brincando em família, teve a audácia de também deixar que um pum seu fosse ouvido por aqueles que estavam no seu entorno.

Isso foi o suficiente para a mãe admoestar a “Princesa”, não se sabe se foi uma admoestação materna cheia de amor ou se foi uma reprimenda bem “bruxalina”, com ameaças e terror, como já se fez muito com crianças para que elas se comportassem “direito”. De uma forma ou de outra o fato é que foi dito a criança que princesa não faz aquilo.

Passado umas quatro horas a “Princesa” começou a chorar e o choro foi crescendo, crescendo e a mãe, muito zelosa, foi socorrer a filha. Abraçou-a com muito afeto, beijou-a também extravasando amor e perguntou à criança:

– Minha Princesa, o que está havendo?

A criança continuou chorando e ficando vermelha, a mãe entrou em desespero pelo silêncio da filha, pelo choro e pela coloração que a pele da Princesa estava ganhando.

A mãe repetiu com insistência a pergunta:

– Minha filha, o que está havendo?

A criança teve até medo de falar o que se passava com ela, pois não era coisa de princesa e sim de gentalha. Mas como não suportava mais o sofrimento, baixinho, respondeu para a mãe com as mãos cobrindo o rosto de princesa e soluçando:

– Mãe, estou com vontade de soltar pum, o que faço?

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