Colunista Moacir Saraiva: “Não quero ser pai”

 

O sujeito já com mais de trinta anos, bem próximo de se casar. Na pandemia foi necessário passar alguns dias na casa do irmão mais velho, este precisou da presença do irmão, e ambos muito chegados, inclusive o solteiro era padrinho de um dos pequenos, o mais velho.

Eram dois meninos com seis e sete anos, com a pandemia, os pais passaram a trabalhar em casa, ainda tinham de acompanhar as aulas dos filhos e fazerem todas as atividades domésticas. Além disso, o pai teve um pequeno problema de saúde e daí resultou na vinda do irmão.

O solteiro chegou lá com muita disposição, trabalhando também através das redes sociais, mas foi socorrer o irmão e a família. No primeiro dia de sua chegada, ele foi brincar com as crianças, ele desconhecia o fato de que se brincar cinco minutos com uma criança, ela quer continuar a brincadeira para sempre. Já no segundo dia, ele percebeu a inquietude dos pequenos e seu afilhado era um aluno não muito afeito aos estudos, e comandava o terror dentro de casa. No sentido de tentar frear mais o chefe do terrorismo, propôs ao afilhado que, para cada nota dez que ele tirasse nas provas, teria recompensa de R$ 50,00, fez essa proposta na certeza de que o garoto ia se ocupar e jamais alcançaria a nota máxima.

O desafiado não ficou mais quieto, pelo contrário ocupava mais ainda o tio e os pais tirando dúvidas dos conteúdos escolares e a malinação continuava, agora com requintes de mais sabedoria, pois o garoto estudando mais passou a ter um maior arsenal para perguntar, desafiar e curtir com a cara dos pais e do padrinho. E o tiro saiu pela culatra, além de o garoto ficar mais astuto nas brincadeiras, recebeu resultado de sete provas e para surpresa de todos, todas com nota dez.

O padrinho, após os resultados e a crescente inquietude dos meninos, pensou: criança só é bonita e engraçada em fotografia.

Em alguns momentos, o mais velho ora ouvia reclamação do pai, ora da mãe e, às vezes, do padrinho sobre a postura endiabrada dele, e ele respondia na tampa e com o mesmo discurso:

– Eu sou tranquilo, vocês é que me irritam!

Em muitos dias, os meninos, às 23 horas, estavam querendo brincar, subiam no pai, na mãe, pulavam e os pais exaustos por ter tido um dia de muita pressão da empresa e de muito trabalho doméstico, mas os meninos queriam brincar. Muita energia guardada após mais de sessenta dias trancados dentro de casa, o padrinho também entrava na brincadeira, mas já não suportava mais o cansaço.

No dia seguinte, os corninhos acordavam cedo e iam para o quarto do tio e o intimavam para brincadeiras, tiravam o lençol de cima do tio e não tinha como ele ficar na cama.

Após trinta dias, o pai dos meninos ficou curado do estresse, pois clinicamente não havia nada, segundo uma série de exames feitos e assim o irmão voltou para casa.

Ao encontrar com a noiva, foi dizendo:

– Depois desses trinta dias convivendo com dois diabinhos, não quero ser pai.

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