Colunista Moacir Saraiva: “Estou vacinado!!!!”

 

Neste tempo de pandemia, muitos filhos estão tendo um cuidado bonito com os pais, um zelo na alimentação, nos medicamentos e em toda a vida dos genitores, essa dedicação eivada de muito amor, deve-se a não permitir que os idosos sejam invadidos pelo coronavírus, permanecendo apenas com os males que a idade já traz sem que ninguém permita.

Alguns idosos gostam de andar pela rua, se deleitam em visitas a shoppings, têm paixão por praia, frequentar bares lhes dar prazer, enfim gostam de lugares que os deixam bem e o melhor, saem na esperança de encontrar amigos e travarem um bom papo, dar boas risadas e, agora, privados desses recauchutadores, as conversas, apenas através de whatsapp, já encheram o saco de todos.

Um casal de idosos sendo muito mimado pelos filhos, nessa maldita pandemia, com o passar do tempo os velhos foram se entediando pelo “confinamento”. Moram perto do mar, em uma casa com um bom visual para o Atlântico, nos arredores há uma área bem arborizada e boa de se caminhar, mesmo vendo todos esses atrativos, o casal não usufruía dessas belezas, devido o peste do Corona. Os filhos se revezavam na casa dos pais, sempre tinha um morando com eles a fim de “cuidar” dos “coroas”. Os pais não saiam para nada, pois os dois além de já serem idosos, mais de 60, mas lambendo essa idade, têm problemas outros de saúde que se forem acometidos pela Covid, podem ter consequências desagradáveis e os filhos não querem permitir isso.

Após mais de um ano de pandemia, os idosos começaram a se rebelar contra os filhos, pois se sentiam sufocados na sua liberdade de ir e vir. O argumento usado pelas crias era o risco que eles corriam de serem atingidos pelo vírus e suas consequências, mesmo eles não concordando com essa ideia, toleravam, pois nas entranhas se sentiam vigiados e sufocados. Quando apareceram as vacinas, os pais soltaram foguetes de alegria, pois viram nelas a carta de alforria, a libertação do jugo dos seus “cuidadores”. Eles logo se vacinaram, pois ambos pertenciam ao grupo da saúde, no intervalo da primeira para a segunda dose, tentaram ir às ruas, mas foram impedidos pelos rebentos, aliás saiam, acompanhados de um dos herdeiros, saídas programadas, nas primeiras bastante comemoradas, no entanto, essa alegria esvaiu-se ao virar rotina.

Quando receberam a segunda dose, pensaram que estavam devidamente capacitados e adultos para saírem da tutela dos filhos, ainda assim, não houve trégua, uma vez que, apareceram algumas cepas diferentes e mais nocivas do vírus. A continuidade desse zelo “exagerado”, segundo eles, causou indignação, principalmente no pai, a mãe aceitou essa reviravolta numa boa, pois os argumentos dos filhos arrebataram sua consciência e a deixaram tranquila e acorrentada sem estar com correntes.

Após um mês de vacinado, o pai, aproveitou um vacilo de um dos filhos e foi à rua sozinho, precavido, mas saiu, andou pela cidade, pelos pontos que frequentava, sequer desceu do carro, o prazer era tão somente sair sozinho. Muita gente na rua, todos com máscaras, ele com a lavagem cerebral dos filhos não ousou descer por estar com muito medo da cepa violenta do vírus.

Passou cerca de três horas perambulando na rua, e ao retornar para casa, desceu do carro, deu um grito de alegria e todo sorridente. Ao se deparar com o filho, que estava bem sisudo, o pai foi logo dizendo com alegria e bem alto:

– Estou vacinado e pronto.

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