Colunista Moacir Saraiva: “Cocô colorido”

 

O pai trabalhando muito na pandemia, já quando a peste miserenta estava em declínio, ele só vinha em casa, à noite. A esposa seguia a mesma pegada, com menor intensidade, pois diariamente almoçava com os filhos, que eram pequenos, a menina com 1 ano e o menino completara dois em data bem recente.

Em uma manhã chuvosa, a babá, em estado de total desespero, liga para a mãe, avisando-a que o menino fizera cocô colorido e acrescentou que, no produto expelido pelo garoto, visualizara vários pedaços pequenos de bolinhas vermelhas, azuis, amarelas, pretas, brancas e de outras cores. A mãe entrou em desespero e pediu para que a cuidadora juntasse o cocô para levar ao hospital. A mãe ligou para os avós maternos, pois moravam bem próximo, a fim de levarem o menino para uma emergência que ela indicara, o pai também foi acionado e todos bastante consternados se deslocaram para o hospital, o primeiro neto dos avós, e nenhum deles jamais fora a um hospital, visitaram apenas consultórios para acompanhamento rotineiro e tomar as vacinas em postos de saúde.

O dia chuvoso e o trânsito, para todos os envolvidos, muito lento, os avós com o garoto e o pote de cocô, e a avó brigando com o avô a fim de ele ir mais lento para não misturar o cocô e dissolver as bolinhas coloridas. E o corninho serelepe, brincando e sorrindo. Enquanto isso, o pai e a mãe com os corações apertados, a mãe chorando horrores no táxi, o pai sem choro, mas cheio de preocupações em um Uber.

Os avós foram os primeiros a chegarem, o hospital já estava contactado, pois o plantonista era o pediatra que acompanhava os dois irmãos. Como havia três crianças, na emergência, na frente do garoto, ele teve de esperar sua vez, o que demorou mais de uma hora. Entraram a avó e a babá. Após quase meia hora, chega à mãe aos berros, gritando:

– Meu filho não vai morrer!!!!

Chegou também o pai a tempo de socorrer e tentar acalmar a esposa.

Quando estavam nessa agonia, os pais foram chamados, pois o médico queria falar com eles.

Ao ouvirem o chamado, o pai também entrou em desespero e os dois foram amparados pelo avô e adentraram no consultório.

Foram acalmados pelo médico que deu a seguinte explicação para o cocô colorido:

– O garoto fez aniversário recentemente, ganhou da avó doze lápis de cera coloridos e ele queria provar o gosto das cores, daí comeu um pedaço de cada lápis. Não é o primeiro garoto que faz isso. O garoto não tem nada.

Todos se acalmaram e caíram na risada.

 

 

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