Colunista Joice Vancoppenolle: “Por que as garrafas de vinho têm a medida de 750ml?”

 

Você já se perguntou por que as garrafas de vinho têm apenas 750ml e não 1L? Se a sua resposta for sim, significa que você é curioso ou gosta muito de vinho. Mas antes de continuar, trago um pouco de história de como nossos antepassados usavam o sistema de medidas.

Na verdade, a falta de padronização de unidades de medida causou muitos problemas ao longo da história e alguns saíram caro demais.

Eis aqui alguns exemplos interessantes:

  • Em 1999, a sonda Mars Climate Orbiter se espatifou em Marte porque o software foi programado parte em métrico, parte em imperial.
  • Cristóvão Colombo, por sua vez, confundiu milhas árabes com milhas romanas ao calcular a circunferência da Terra. Esse erro o levou acidentalmente ao Caribe.
  • Em 1983, um voo da Air Canada decolou com metade do combustível por um erro de conversão. Ele precisou fazer um pouso de emergência.

Voltando à medida de 750ml das garrafas de vinho e a pergunta que não quer calar:

Mas por que esse padrão específico se aplica à nossa herança vinícola? Não seria mais prático aplicar o mesmo padrão volumétrico às garrafas de vinho e ao resto das bebidas? Para entender esse padrão, você precisa voltar um pouco na história.

Como os franceses faziam para vender vinho aos “amigos ingleses”?

As garrafas de vinho francesas foram padronizadas por volta do século XIX por um motivo simples: na época, seus principais clientes de vinho eram seus vizinhos ingleses. No entanto, a diferença de medida entre os franceses e os ingleses representava um problema real para o comércio, devido ao sistema inglês que era o galão imperial. Esta medida equivalia a 4,54609 de litros, o que resultava em um problema matemático nas conversões e logo uma alternativa teve que ser encontrada.

A partir daí, os produtores franceses decidiram exportar seu vinho em barris de 225 litros, o que equivalia a 50 galões. Para simplificar, o conteúdo correspondia a 300 garrafas de 0,75 litros, tornando-se um padrão até hoje. Atualmente, o vinho é vendido em lotes de 6 ou 12 garrafas, simplesmente porque 6 garrafas representam um galão. Jean-Robert Pitte, geógrafo e ex-presidente da Paris IV Sorbonne, explica o seguinte: “Na época, a capacidade dos navios era calculada em barris. Um barril de Bordeaux tinha 900 litros. Se dividirmos 900 por 0,75 litros, obtemos 1200, ou cem caixas de doze garrafas.”Com frequência, a origem está nos usos. Durante algum tempo, o rótulo 730ml pôde ser encontrado nas garrafas. Porquê? Bem, porque eles tinham uma capacidade de 750ml, mas quando se colocou a rolha, eles transbordaram e perderam 20ml. Hoje, a capacidade é, portanto, de 770ml, sempre com os 20ml perdidos na colocação da rolha. Pode-se, porém, exibir sem mentir, 750ml em todas as garrafas de vinho. Apesar destas informações recebidas e transmitidas, muitas hipóteses circulam para explicar esse padrão específico. Algumas dessas informações são um tanto fantasiosas, mesmo assim as garrafas de vinho seriam de 750ml porque:

•      Isso permitiria uma melhor conservação do vinho (o que é falso).

•      Esse seria o volume ideal de consumo durante a refeição (750ml por refeição, ainda é um pouco demais, não é?)

•      Esta é a capacidade pulmonar limitada de um soprador de vidro (basicamente, sopradores de vidro quase todos têm asma e não podem soprar garrafas grandes).

•      Hoje, a legislação europeia passou a regulamentar o engarrafamento com vários padrões. A Diretiva de 2007, portanto, aprova oito variedades de capacidade, variando de 100ml a 1,5 L.

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