Colunista Joice Vancoppenolle: “Os vinhos da Califórnia”

Caro leitor, os vinhos da Califórnia adquiriram o status de cult nos últimos 20 anos. Esses vinhos, assim chamados cult wines, colocam-se acima de seus companheiros em nuvens cheias de elogios, insufladas por ardorosos seguidores e por entusiasmados críticos de vinhos. Eles geralmente oferecem – e frequentemente cumprem – boas expectativas, mas os preços são muito altos. A lista dos cult wines é um tanto quanto nebulosa e muda de ano para ano, mas atualmente se acredita que incluem os vinhos de Araújo Eisele Vineyards, Bryant Family Vineyard, Harlan Estate, entre outras. O protótipo e núcleo dos cult wines da Califórnia é o Escreaming Eagle.

O Escreaming Eagle, adquiriu o status de cult quase que imediatamente quando, após sua primeira safra em 1992, o poderoso crítico de vinhos dos Estados Unidos Robert Parker Jr. concedeu-lhe 99 pontos de 100, espalhando uma febre de demanda pelas 225 caixas de vinho produzidas naquele ano. Atualmente, cerca de oitocentas caixas são produzidas – embora variem de safra pra safra – E a única maneira de conseguir algum desses vinhos é estar na Maling List da vinícola, para qual havia uma lista de espera de doze anos em 2015.

Para cada pessoa na Mailing List do Escreaming Eagle são fornecidas três garrafas ao preço de 300 dólares cada uma. Depois, alguns comerciantes compram os vinhos em leilões e revendem. Podemos também, adquirir bons rótulos através de websites muito interessantes como a wine.com.

Embora a Califórnia não seja geralmente conhecida por seus Sauvignon Blanc da maneira como é o Vale do Loire, na França, e a região de Marlbough, na Nova Zelândia, o estado produz alguns finos exemplos dessa variedade a preços surpreendentemente acessíveis. Por cerca de 10 dólares, o Racho Zabaco’s Dancing Bull Sauvignon 2014 é uma boa compra. De fato, seu mineral e seu frescor são extremamente semelhantes ao Sauvignon Blanc de boas regiões do Leste do Loire, tais como Pouilly Fumé.

Sabores discretos de aspargo, maçã e ervas circulam ao redor de uma firme e intensa estrutura. Um vinho muito bom, acompanhamento ideal para um jantar ao ar livre.

Somente na Califórnia, uma reconhecida estrela poderia se imiscuir com o reinado do vinho. Em 1974, Francis Ford e Eleonor Coppola utilizaram os royalties do filme O Poderoso Chefão para adquirir a Niebaum-Coppola Estate Winery e produzir seu carro chefe, o vinho Rubicon. Esse vinho foi batizado com o nome do rio que Júlio César atravessou quando marchou sobre Roma para conquistar o poder. César sabia que, uma vez atravessado o Rubicon, não haveria caminho de volta. Coppola afirmou que ele sabia, quando enterrou os royalties de O Poderoso Chefão nessa propriedade, que era um caminho sem volta.

Ele foi assegurado de que estava no caminho certo pelo vizinho e amigo “Bob” (Mondavi), E duas outras sequências de O Poderoso Chefão confirmaram o lugar do Rubicon na história da produção de vinho.

A preciosidade da Niebaum-Coppola Winery é uma latinha rosada de um frisante. O vinho é batizado de Sofia Mini Blanc de Blancs, nome da atriz e diretora Sofia Coppola, filha de Francis Ford Coppola. O vinho é uma mistura de Pinot Blanc, Sauvignon Blanc e Muscat, sendo vendido pelo preço de 20 dólares cada quatro latas; Tem um sabor cítrico, de damascos, tangerina e pêra. É seco, frutado, aromático e, por sinal, é uma das bebidas favoritas da apresentadora Oprah Whinfrey.

Eu não terminaria esse texto leitor, sem falar da uva Zinfandel que é uma das pedras fundamentais das variedades de uvas da Califórnia, produzindo vinhos com os sabores de licores de amora mirtilo e framboesa com toques de pimenta do reino.

“Tanto quero o pão quanto o vinho. A realidade e a fantasia.”

Cazuza

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