Atenção às doenças do inverno em tempos de pandemia do coronavírus

O inverno é a estação responsável pelas mudanças ambientais, com isso, as pessoas passam a ficar mais tempo em ambientes fechados com aglomerações, que caracterizam o ambiente ideal para proliferação e disseminação do vírus. O tempo nublado no inverno dificulta a dispersão da poluição, ficando a mesma em baixa altitude, fator que aumenta a sensibilidade das vias aéreas, desencadeando crises de asma e agudização da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). 
Esta inflamação das vias aéreas predispõe as infecções virais e secundariamente as bacterianas. O tempo frio resseca a mucosa do nariz e brônquios, favorecendo a instalação das doenças previamente citadas. Um fator adicional é a ingestão de menor quantidade de água no inverno, que agrava o ressecamento das mucosas brônquicas e das vias aéreas superiores, quebrando uma barreira de proteção importante contra doenças alérgicas e infecciosas.
No entanto, a prevenção das doenças respiratórias no inverno implica em mudanças de hábitos. As doenças do inverno podem ser de etiologias predominantemente alérgicas: como rinite, asma, e as doenças infecciosas: como sinusites, otites, bronquites, pneumonias e exacerbações da Dpoc, no passado conhecida como bronquite e enfisema. Também é importante lembrar que, as doenças alérgicas favorecem as infecções e vice versa.
Por isso algumas medidas de prevenções úteis.
1- Vacinação contra gripe em crianças, idosos, cuidadores, professores, pessoas que convivem em ambientes fechados, grávidas e portadores de doenças crônicas, devem ser incentivadas, sem o mito que vacina causa gripe, afinal o vírus está inativado.
2- Lavar as mãos com frequência, principalmente quando cumprimentar alguém gripado, ou pegar em objetos de uso público, como: escada rolante e o carrinho do supermercado. Deve-se sempre higienizar as mãos com álcool gel 70%, sempre que não for possível lavá-las. Estas recomendações são extremamente importantes principalmente nas populações de risco referidas para vacinação.
3- Manter a casa aberta e arejada nos dias de sol, para reduzir poluentes e agentes infecciosos.
4- Cuidado com roupas no armário, que podem estar mofadas e desencadear episódios de alergia imediata ou tardia.
5- É importante manter boa hidratação, especificamente os idosos, que desidratam com facilidade e tem o reflexo da sede diminuído. É necessário oferecer líquidos de forma frequente a esse grupo.
6- Alimentação saudável composta por frutas e legumes, ricos em vitaminas.
7- Prática regular de atividade física, cumprindo orientações do seu médico. O exercício é sempre bom para prevenção do estresse e várias doenças, reforçando seu sistema imunológico.
8- Ao tossir, abaixe a cabeça e encoste-se ao antebraço, evitando que a tosse e o espirro contaminem as pessoas ao seu redor. Se tiver lenço descartável tossir apenas nele.
9- No uso de transporte público, a exemplo do ônibus, mesmo em dias de chuvas, tente abrir um pouquinho a janela, para facilitar circulação do ar, reduzindo assim as chances de contaminação.
10- Cuidado com a famosa gripe mal curada, ela pode ser indício de muitas doenças, como alérgicas, ou até mesmo tuberculose.
11- Quem apresentar tosse por mais de 10 dias, deve procurar o médico para diagnóstico e tratamento precoce, evitando a possível disseminação da doença.
12- É importante evitar a automedicação ou a orientação de vizinhos, o tratamento das doenças é individualizado. Assim, não se deve mascarar doenças com paliativos, evitando riscos para sua saúde.

Coronavírus, outono, inverno e doenças destas estações, como devemos proceder?
O coronavírus é de uma família antiga de vírus conhecida desde 1960, sendo identificada em homens e animais.
Habitualmente causam doenças respiratórias, de leves a moderadas, semelhantes a um resfriado, comuns em 80% dos casos. Alguns membros da família do referido vírus, como a Covid-19, podem ocasionar danos graves pulmonares e em outros órgãos, especialmente em idosos e portadores de doenças crônicas. Uma das cepas deste vírus foram responsáveis pela Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2002. Outro vírus da mesma família levou a Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), identificado em 2012, com grande impacto na saúde pública.
Recentemente, surgiu o mesmo vírus modificado, conhecido como Covid-19, que significa co (corona), vi ( vírus), d (doença), 19 referente à 2019, ano em que foi identificado. Os sintomas podem ser semelhantes ao da influenza, sendo ocasionalmente impossível fazer a diferença clinicamente. Ambos os vírus podem infectar o mesmo paciente. Os exames complementares específicos são obrigatórios em tempos de pandemias, como: testes rápidos para influenza, teste rápido para Covid-19, e teste molecular rt-pcr, especialmente em casos graves, de acordo com tempo de evolução da doença.
Os Sintomas habituais são: febre alta, tosse com ou sem secreção e dificuldade para respirar. Outros sintomas observados podem ser: dor na garganta, cabeça, na barriga (podendo estar acompanhada de náuseas, vômitos, diarreia), dores musculares e articulares, cansaço, perda do paladar e olfato, especialmente em jovens, mesmo sem ter nariz congestionado. Também podem ocorrer alterações na pele, como urticárias e lesões nas extremidades dos pés e mãos. Esse vírus levou a uma pandemia sem precedentes, alterando hábitos e costumes no mundo. Isso só visto anteriormente na gripe espanhola, há mais de 100 anos. Devido à ausência de uma vacina ou um tratamento definitivo, oficialmente aceito a nível mundial, todos os esforços estão concentrados na prevenção à doença.
Além das medidas de prevenções já citadas nas doenças do inverno, foram acrescentadas outras medidas de prevenção ao coronavírus:
1- O isolamento social
2- Distanciamento social, de no mínimo, 1,5 metros de distância.
3- Evitar aglomerações.
4- Fechamento do comércio, ficando aberto apenas os serviços essenciais, como forma de conter o avanço da doença.
5- Roupas, sapatos devem ficar na entrada da casa, como forma de evitar a propagação do vírus. Também se recomenda banho imediato, após a chegada em casa.
6- Proteção dos mais vulneráveis (idosos ou portadores de doenças crônicas), além das condutas referidas, evitar contatos com crianças e mesmo familiares adultos, mantendo o distanciamento social.
7- Também é recomendado o uso de máscaras por sintomáticos respiratórios, médicos e outros profissionais de saúde, e mesmo de pessoas assintomáticas em ambientes fechados, a exemplo de vendedores.
8- Manter sob rigoroso controle as doenças crônicas.
Essa pandemia é responsável por um imenso impacto na saúde, economia e no emocional de toda a população mundial. Com isso, os dados epidemiológicos são muito dinâmicos no momento atual. Temos contabilizado mais de 2,2 milhões de infectados, com mais de 150 mil mortes no mundo.
No Brasil, temos mais de 30 mil infectados, com mais de 2 mil óbitos. Todo sofrimento imposto pela pandemia demonstra a vulnerabilidade mundial em lidar com grandes catástrofes. No Brasil, ficou clara a importância de uma nação bem informada, do saneamento básico e do investimento na prevenção de futuras pandemias. “As medidas de prevenção adotadas nesta pandemia devem ser incorporadas ao nosso cotidiano. São hábitos saudáveis, capazes de prevenir doenças, além de melhorar a qualidade de vida de todos”, enfatiza Dr. Guilhardo Fontes Ribeiro, pneumologista e diretor da Associação Bahiana de Medicina. Para ele, apenas com solidariedade, bondade, generosidade, compaixão e disciplina, além do respeito às normas do Ministério da Saúde, é que poderemos vencer essa pandemia. “Aprendemos, não sem sofrimentos, que a humildade é a mais nobre das virtudes”, completa.

Mini-currículo de Dr. Guilhardo Fontes Ribeiro: Coordenador da residência de clínica médica do Hospital Santa Isabel e professor adjunto da Escola Bahiana de Medicina. Diretor Acadêmico da Associação Baiana de Medicina (ABM).

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