A um mês para o final do ano, Bahia ultrapassa os 40 mil casos de violações contra a pessoa idosa
Dados são do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e implicam em maus-tratos, exploração sexual e até tráfico de pessoas;
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o final de 2026, pela primeira vez na história, haverá mais idosos do que crianças no planeta. O último Censo, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em doze anos no Brasil. Já a população idosa com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões de pessoas, 15,8% da população do país. O aumento é de 56% em relação a 2010, quando era de 20,5 milhões (10,8%).
Quanto â Bahia, projeções do IBGE indicam que, até 2070, quatro em cada dez baianos terão 60 anos ou mais. Atualmente, o estado tem mais de 2,3 milhões de pessoas idosas e concentra o maior número de centenários do país.
Diante disso, surge um tema preocupante: a violência contra a terceira idade. Para Ma. Lianne Soares, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Vitória da Conquista, essa pauta é um problema social grave que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Segundo o Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o estado da Bahia já registrou em 2025 o total de 43.963 casos de violações (Qualquer fato que atente ou viole os direitos humanos de uma vítima. Ex. Maus tratos, exploração sexual) contra a pessoa idosa. Desse total, apenas 4.538 denúncias foram efetivadas (Quantidade de registros que demonstra a quantidade de vezes em que os usuários buscaram a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos para registrarem uma denúncia. Um protocolo de denúncia pode conter uma ou mais denúncias). Somente neste mês de novembro, foram 2.496 casos. Em 2024, foram registrados 49.015 casos de violações contra a pessoa idosa em todo o estado.
Para a Advogada Lianne, trazer essa conscientização explanar dados para a sociedade, contribui para a redução dessas violências, haja vista que isso causa um incômodo social e, por consequência, potencializa a criação de medidas ainda mais efetivas de combate a esse problema, por parte das pessoas e famílias, mas também dos órgãos competentes.
“As pessoas idosas em geral não têm força ou métodos para se defender sozinhas e, portanto, é essencial redobrar os cuidados e a atenção comesse público”, destaca.
Lianne aponta, que há uma legislação responsável pelo direito do idoso e qualquer pessoa pode fazer denúncias, seja através das Polícias Militar (190) ou Civil (197), o Disque 100 (que funciona diariamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana) e canais eletrônicos. Ademais, órgãos como o Ministério Público, mais específico a Promotoria de Justiça com atribuição em matéria do Idoso, podem ser procurados para defesa dos direitos difusos e coletivos dessa classe uma vez que forem violados.
Por fim, a especialista afirma que é essencial evitar a perpetuação da vulnerabilidade do idoso, sendo fundamental que a família exercite o amor e a paciência para lidar com os desafios da terceira idade. “Estabeleça diálogos, fortaleça laços e proporcione um ambiente adequado e seguro para eles. Ouvir o idoso sobre o que ele está passando ajuda a dirimir esse problema”, afirma Lianne.
Para saber mais, acesse: População idosa MDHC.


